domingo, 4 de abril de 2010

[tempos de paixão] ir à missa em iapala

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Estaquei à entrada da palhota, deslumbrada por aquela missa de uma alegria ritmada e ruidosa: um conjunto de mulheres e meninas, vestidas com capulanas iguais, dançando com uma coreografia simples, mas cheia de força e energia, com toda a assembleia compenetrada em bater palmas ritmicamente. Ouve-se, a intervalos, o alarido de algumas mulheres, marcando os silêncios das solistas e o padre Filomeno, ao fundo, dança também e bate palmas acompanhando a assembleia. Ao fim de alguns minutos, após um ralentando irrepreensível, faz-se silêncio e o padre começa a celebração em Macua, uma língua subitamente eufónica e melodiosa, que ainda não tinha tido oportunidade de apreciar calmamente com todos os seus timbres e entremeios, bem diferente de uma língua pitoresca, cheia de estalidos e assobios, como eu imaginara um dia serem as todas línguas africanas.

Não consigo deixar de me sentir esmagada por esta cultura, que absorveu uma religião milenar e a traduziu com os cinco sentidos, que lhe deu uma cara alegre e jocosa, um novo som, um novo ritmo, que virou do avesso uma religião sisuda e dança agora ao som das suas palavras africanas.

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