segunda-feira, 25 de maio de 2015

[vozes brancas] pequenos milagres!



Tenho um menino de 8 anos que sigo há vários anos. Teve um diagnóstico de autismo depois da primeira infância (já nem sei aos três ou quatro anos), mas entretanto, com o investimento da mãe e múltiplos profissionais envolvidos, fez uma evolução notável. Não quero agora discutir se o diagnóstico estaria correto. Olhando para trás e tendo em conta a evolução, podemos pensar que não estaria. Eu não sei, não fui eu que fiz o diagnóstico e não estava lá para ver, o que eu sei é que ele evolui de dia para dia. Atualmente é um menino doce, que se explica muito bem verbalmente, já tem até algum sentido de humor e começa a ter criatividade e imaginação. É também incrivelmente impulsivo, agitado, difícil de acalmar nas múltiplas birras que continua a fazer por dia. Na última consulta, depois de o ter conseguido acalmar, pedi-lhe que me fizesse um desenho.
 
Saiu esta obra magnífica e colorida! Perguntei-lhe o que era. Respondeu-me que era um "super-jardineiro, amigo do ambiente". Já estou habituada a surpresas deste tipo, mas quase que choro só de me lembrar como estava este menino da primeira vez que o vi em consulta...
 
A sério que da próxima vez que alguém me disser que baixa os braços perante de um diagnóstico de autismo lhe mostro este desenho!

Tal como há poucos meses um menino com um autismo profundo, sem linguagem funcional, de repente começou a escrever no computador. E meses depois estava a usar a linguagem escrita para fazer pedidos simples. A mãe perguntava-me, incrédula se isso queria dizer que o menino sabia ler...

Respondi-lhe que temos de aceitar os milagres! Tal como ela nunca desistiu do filho e sempre aceitou o diagnóstico e fez por ele tudo quanto conseguiu fazer, também tinha de saber aceitar as coisas boas.

terça-feira, 5 de maio de 2015

[vozes brancas] kiss my eyes

Tenho uma dor horrível no olho... No sábado, durante a urgência de pediatria, mal conseguia manter o olho aberto. Tudo por causa de um malfadado vírus que estava obviamente a sofrer maus tratos no nariz de um baby que eu vi na urgência da semana passada e que portanto resolveu pedir asilo político ao meu olho direito. Ora pois que o meu olho direito se compadeceu do bicho, coitadinho, catapultado de minuto a minuto em violentíssimos espirros e resolveu armar-se em alto comissário para os refugiados. Vai daí, arranjou-lhe alojamento e despachou-o para o seu vizinho do lado esquerdo, que ele, como olho diretor, tinha mais que fazer, ora essa, era o que mais faltava, ser alto comissário e ainda ter de fazer tudo nesta casa.

De tudo isto, só tive conhecimento na semana seguinte, quando no dia de urgência acordei com o olho à Camões. Sou sempre a última a saber destas andanças...

Mas como eu ia dizendo, no sábado estava miserável. Uma dor excruciante. A meio da manhã já não aguentava mais, a dor trespassava-me o crânio e latejava-me nas têmporas, e fui pedir à enfermeira que me tapasse o olho. Foi então que me entrou no gabinete um menino de quatro anos, acompanhado por uma mãe muito empática que me olhava compadecida. Já o menino olhava para mim absolutamente boquiaberto. Deixou-me fazer tudo o que lhe pedi sem um protesto. Por fim ganhou coragem e perguntou-me baixinho:

- És pirata?
- Sim, sou uma amiga do Jake, vim da Terra do Nunca para te ajudar a curar esse dói-dói.
- Mas essa coisa no olho não era preta?
- Sim, mas as princesas piratas usam uma pala branca, os piratas meninos é que usam uma pala preta. Agora tens uma missão: para salvar a princesa pirata lá da Terra do Nunca tens de ir fazer análises.

O menino estava fascinado, respondeu-me muito compenetrado que sim, que iria fazer então as análises. Regressou sem uma lágrima e com um desenho para a princesa pirata da pala branca.

[Tenho ou não tenho a melhor profissão do mundo?]

domingo, 3 de maio de 2015

[as melhores do serviço de urgência] uma questão de boa educação...

Três da manhã, Urgência de Pediatria ainda muito movimentada. A avó de um menino de quatro anos que conheço desde que nasceu, com múltiplos problemas de saúde e que em tempos difíceis reanimei duas vezes na mesma noite, entra-me, esbaforida, no gabinete.

- Mais uma convulsão, doutora.
- Boa noite, avó, não há meio de uma pessoa se habituar a isto, não é verdade?
- Pois não, doutora, coitadinho do meu menino. Desta vez foram dois minutos.
- Mas passou sozinha desta vez? - resposta afirmativa da avó - Que medicamento é que o menino está a tomar para a epilepsia?
[Baixinho, a medo] - É o "Dá práqui".
[Pausa para reflexão fonética]- O Depakine? - Arrisquei.
[Sorriso de orelha a orelha, aliviado, voz muito mais assertiva] - Isso, o "Dê práqui"! Afinal era fácil!

Isso! É só uma questão de tratar o medicamento por você em vez de o tratar por tu.

[reflexões para uma madrugada de telha] dia da mãe

No outro dia abri a boca de espanto quando ouvi uma preleçãode uma colega de outro serviço do hospital. Uma mulher severa, altamente narcísica, sem um pingo de empatia por quem sofre e por quem está em dificuldades, incrivelmente sensível, incapaz de um elogio a não ser a alguns (poucos) seus eleitos. Para o caso talvez seja relevante mencionar que é solteira e que nunca teve filhos...

E perguntam vocês, meus caros amigos: "Sobre que tema pregava tão distinta figura?"

Sobre Parentalidade Positiva. E enchia a boca com a aliteração... Explicava algumas "técnicas" a uma jovem mãe, pediatra de outro serviço, que a ouvia com atenção, com o seu melhor sorriso amarelo, tentando encontrar um buraco, por entre o discurso verborreico, por onde pudesse escapar.

Só me fez lembrar a severa diretora do colégio de freiras de uma amiga minha, que há muitos anos, inaugurou um discurso de duas horas deste modo: "Hoje é o Dia da Mãe. Eu não sou mãe... mas já li muito sobre o assunto, portanto cá vai!" .


E é isto, meus amigos... [Nota-se muito que estou de banco, que são seis da manhã e que já não vejo o baby-de-mulata há mais de 24 horas?]

quarta-feira, 8 de abril de 2015

[a minha vida dava um filme cigano] e o cérebro todo apanhadinho...

Há dias, na urgência de pediatria, encontrei um menino de 8 anos de etnia cigana que sigo na consulta por dificuldades de aprendizagem e alterações do comportamento gravíssimas. Um menino para quem o simples exercício de 7 e 7 são 14 com mais 7 são 21, em calhando num dia mau, pode fazer despoletar uma batalha campal em plena sala de aula e certa vez deixou o meu gabinete de consulta revirado durante 3 dias tal foi a frustração que o menino sentiu quando ouviu uma pergunta que o obrigaria a concentrar-se e não estava capaz. Mas enfim, são vidas, contextos e famílias, e o menino lá andava a melhorar, devagarinho mas ia (a sério que ia), com alguma paciência e muito trabalho de sua mãe e dos professores da escola.


O problema foi que a dada altura, após a morte do avô, começou a regredir a olhos vistos e as alterações do comportamento atingiram patamares a raiar o nível do autoproclamado "estado islâmico", quer no recreio quer na sala de aula. A professora ligou-me, preocupada. A mãe ligara-me dias antes, desesperada. Concordei que seria então necessário marcar uma consulta de urgência e medicar o menino. A consulta teve lugar dias depois, em conjunto com a família e as professoras.


Duas semanas depois vi-o então na urgência.
- Então, mãe, o menino como está? Melhorou alguma coisa com a medicação?
- Não, doutora, nã teve melhoras nenhumas.
- Ai, não me diga, mas continua tudo na mesma?
- Sim, doutora, já nã sei o que fazer. Até me parece que está cada vez pior... Já viu a minha vida?
- Pior? Ai, valha-me Deus! Mas vamos lá ver, a que horas lhe dá o medicamento?
- Ah, doutora, nã lhe di...
- Não lhe deu? Mas porquê?
- Eu saí da consulta a achar que lhe ia dar, mas depois o mê marido chegou a casa e teve a ler o medicamento po dentro, e teve medo que o remédio lhe apanhasse o cérebro. Por isso nã lhe demos.


...

sábado, 7 de março de 2015

[outras palavras] ideias brilhantes!

- A Chica foi ao Centro de Saúde à consulta homeopática.
- Não sabia que havia disso no Centro de Saúde.
- No caso dela sim. É só estar 5 minutos a falar com o médico que fica logo boa das doenças todas.
- Mas isso não é consulta homeopática, isso é consulta psicossomática. Homeopática era se ela fosse ao centro de saúde só para ler o nome do médico na porta e voltasse para casa curada.


Por São João no seu genial blogue "Febre dos Fenos"

[vozes brancas] auto-estima masculina...

Já anteriormente se notou a queda do meu baby-de-mulata para as línguas, e o efeito hilariante que as metáforas da nossa grande pátria, que é a língua portuguesa têm nele.
No outro dia, íamos ao jardim brincar, quando passámos por uma boca de incêndio.


- Mãe, o que é isto?
- É uma boca de incêndio.
- E para que serve?
- Se houver algum incêndio por aqui num prédio destes, os bombeiros ligam as mangueiras aqui e a água jorra com muita força pelas mangueiras para apagar o fogo.
- Mas... boca de incêndio? Isto não tem língua nem fala, isto não é uma boca! - replicou com ar de gozo.
- Mas chama-se assim porque é grande e larga e a água vem de lá com muita força.
- Ah... Mas acho que não - respondeu com um ar muito pouco convencido -, assim devia-se chamar pilinha de incêndio.


(Suspiro... Ai o cromossoma Y! Só espero que esta autoestima lhe dure até bem depois da puberdade!)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

[in god we trust] everyone else must bring evidence!

José Diogo Quintela escreveu há tempos um texto genial sobre homeopatia. Andei à procura dele para partilhar convosco. Daqui.
Tenho a casa transformada em enfermaria. Neste momento, estão internados cinco Nenucos, três Barbies (tecnicamente, uma delas é Barbie-Sereia) e um Action Man. Padecem de gripe.
A minha filha é muito atenciosa com os pacientes. Está a levar a sua função terapêutica muito a sério. A minha mulher está convencida de que a miúda vai ser médica. A mim, pela maneira como ela trata as bonecas, dá-me mais a sensação que ela vai ser homeopata. É que os remédios que ela receita são colheradas de ar e pingos de água aplicados a partir de um biberon de brincar.
Como pai preocupado com o futuro, é óbvio que estou contente. A homeopatia não é tão prestigiante quanto a medicina, mas dá mais dinheiro. E o curso é mais fácil. Só é preciso aprender a medir porções, diluí-las e sacudi-las num recipiente. No fundo, é um curso de barman em que só se usa água. Aliás, qualquer pessoa que já teve preguiça de ir à despensa buscar uma embalagem de champô nova, preferindo antes encher de água e abanar a embalagem vazia de modo a recolher refugo de champô com que lavar a cabeça, é um homeopata em potência.
Todos os dias ouço um anúncio na rádio a recomendar que faça a prevenção da gripe com o Oscillococcinum, um produto homeopático. Ora, eu não sou cientista. Logo, tenho toda a qualificação necessária para me pronunciar sobre homeopatia. E diria que a prevenção da gripe com pílulas de açúcar só funciona se o vírus influenza estiver a fazer a dieta do Paleolítico. Sem ser para evitar os hidratos de carbono, não estou a ver outra razão que levasse um vírus a não querer instalar-se em alguém só porque toma pílulas de açúcar. A empresa que o vende garante que não tem efeitos secundários. Aí já estamos de acordo. É natural que não tenha, porque para ter um efeito secundário seria necessário que tivesse, anteriormente, um efeito primário.
No entanto, a bem da verdade, tenho de reconhecer que o Oscillococcinum não é apenas açúcar. O seu ingrediente fantástico (no sentido de “estupendo” para os homeopatas; no sentido de “fictício” para as restantes pessoas) é um extracto de miudezas de pato, o que faz do Oscillococcinum uma sugestão de canja muito cara. Quando alguém toma um comprimido, há um círculo que se completa: o que começou com um pato termina num pato. Não consigo imaginar melhor definição de “holístico”.
Os homeopatas garantem que depois das 200 diluições do extracto de pato, a água retém a memória de uma molécula do ingrediente original. Até agora, não se conseguiu provar que a água tenha memória. A existir, a memória da água é igualzinha à memória do vinho: quando o bebo, no dia seguinte também não me lembro de nada.
Atenção, o meu cepticismo não é dogmático. Mudo de opinião quando me mostrarem provas irrefutáveis. E a verdade é que fui agora ao quarto da minha filha e as doentes estavam todas perfiladas para uma aula de zumba. Tudo com ar bem-disposto. Tirando o Action Man.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

[and now for something different] sarampo, sarampelo...

Lido por aí... Sobre o ressurgimento do sarampo e do surto originado na Disneyland da Califórnia.


Numa sociedade cada vez mais desigual, surgem estes pequenos sinais de igualdade: hoje em dia, para apanhar uma doença erradicada, já não viajamos para uma zona miserável de África, vamos para um dos condados mais opulentos dos Estados Unidos.
Claro que continua a haver diferenças. No terceiro mundo, os ratos transmitem doenças às pessoas. Nos países desenvolvidos, as pessoas é que contagiam os ratos. Na Disneylândia, só desde Dezembro, já infectaram 7 Mickeys, 4 Ratatouilles e um Fievel.
Este ressurgimento do sarampo sucede porque o movimento antivacinas garante que há uma ligação entre vacinação e autismo. E é capaz que seja verdade. Ouvindo as pessoas que se recusam a vacinar os filhos, nota-se o discurso repetitivo, a incapacidade de comunicar e as dificuldades de aprendizagem típicas do autismo.
Mas é possível convencer os fanáticos antivacinas. A minha filha é ideologicamente contra as vacinas — começa a chorar sempre que estamos no mesmo código postal do Centro de Saúde — mas é aberta à razão. Principalmente se a razão for de chocolate e derreter.


Por José Diogo Quintela, aqui

[reduzir, reutilizar, reciclar] exercícios ecológicos

Ontem, o baby-de-mulata mais uma vez foi comigo e com Mr. Shaka, seu papá, ao ecoponto mais próximo levar o lixo reciclável. Para ele, tudo o que envolva sair de casa e ajudar os seus papás a fazer coisas de crescidos é um programão! E, claro, é sempre uma atividade pedagógica que promove o conhecimento dos materiais de utilização corrente  ("isto é papel, isto é vidro, isto é plástico"). E a minha convicção pessoal é que em matéria de ambiente, educação para a cidadania e resíduos sólidos urbanos nunca é cedo demais para começar!


E lá íamos nós:
- E como se chama um caixote do lixo para colocar... vidro?
- É um vidrão.
- Que lindo, baby, tu sabes muitas coisas! E um caixote do lixo para pôr papel?
- É um papelão.
- E um caixote do lixo para pôr embalagens?
- É um embalão.


E foi então que a coisa começou a descambar...
- E um caixote do lixo para pôr colchas?
- ... É um colchão! [Um sorriso e depois uma gargalhada de quem percebeu o trocadilho...]


- E um caixote do lixo para pôr... trambolhos?
- É um t'ambolhão! Ahahaha!


- E um caixote do lixo para pôr... Carrilhos?
- É um carrilhão!


- E um caixote do lixo para pôr... túbaros?
- É um tubarão! Ahahaha!


- E um caixote do lixo para pôr caixas?
- É um caixão!


- E um caixote do lixo para pôr... calças?
- É um calção!


- E um caixote do lixo para pôr boias?
- É um boião!


- E um caixote do lixo para pôr... diversos?
- É uma diversão! - ...um ar confuso... - Pois é, mãe?


- Sim, meu amor! E um caixote do lixo para pôr confusos?
- É uma confusão! Ahahaha!


- E um caixote do lixo para pôr fogos?
- É um fogão!


- E um caixote do lixo para pôr... solteiras?
- É um solteirão! [Esta ele não percebeu, mas pode ser que se vá entranhando...]


O baby ria, nós desfazíamo-nos à gargalhada com ele, e eu fiquei mesmo feliz porque o meu menino já consegue manipular sílabas, derivar palavras e ainda por cima tem sentido de humor e consciência fonológica. Mais um passo para o conhecimento metalinguístico e preparar a leitura e escrita. Também para isso nunca é cedo demais...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

[as melhores do serviço de urgência] prémio "fia-te na virgem e não corras"!

E o primeiro candidato ao Grande Prémio "Fia-te-na-Virgem-e-Não-Corras" 2015 chegou ao serviço de urgência do meu hospital na semana passada!


Ora pois que o episódio se inicia estava eu, pacatamente, no gripódromo em que se transformou o serviço de urgência nas últimas semanas (metade do país está de cama e a outra metade ou já esteve ou vai ficar), que é como quem diz, no ram-ram do "Boa noite, então o que se passa com @ menin@", assim mesmo mas sem o @, que parecendo que não, é difícil de articular com clareza. Ao que os pais respondiam invariavelmente com o "Febre-tosse-e-ranho-desde-há-três-dias,-mas-é-só-por-descargo-de-consciência-que-se-não-fosse-o-terceiro-dia-nem-vinha-aqui-que-eu-nem-sou-muito-de-vir-às-urgências-mas-é-que-lá-da-creche-pedem-o-papel-do-médico-e-pronto". E lá continuava eu, com a preocupação de, no meio dos cinquenta que tinham gripe, não deixar escapar aqueles 1,2 meninos que tinham pneumonia ou o 0,3 que tinha meningite*.


Eis senão quando, no ecrã me aparece um menino classificado como laranja. Prioridade quase máxima. Num relance reconheço o nome: é o filho de uma colega minha. Teve uma convulsão com febre em casa e ainda está sonolento. Sonolento mas mais lento do que com sono, felizmente, sinal de que estava a recuperar.


A minha colega vinha pálida, impaciente, exaltada como nunca a tinha visto. Não era para menos, que uma convulsão num filho é coisa para assustar o mais experiente dos médicos, mas acabou por me explicar o motivo da enervação:


- O Rafael estava ao meu colo, muito murchito. Chamei a empregada e pedi-lhe um Ben-U-ron porque me parecia que a febre estava a querer subir e foi então começou a convulsar.
- E depois o que fizeste?
- Chamei a empregada outra vez e ela lá veio espavorida. Pedi-lhe outra vez o Ben-U-ron e toalhas molhadas, mas ela só se agarrava a mim e dizia: "Ai reze, menina, reze!" E eu respondia, "Eu rezo, Maria, eu rezo, mas vá-me lá buscar umas toalhas molhadas e um Ben-U-ron". Ela desapareceu para a cozinha, mas só quando voltou com uma velinha acesa e sem as toalhas é que percebi que tinha se ser eu a fazer tudo. Deixei-o no chão em posição de segurança e fui eu própria buscar tudo e ligar para o INEM.
- E no meio disso tudo, ele já tinha parado?
- Sim, graças a Deus, não deve ter durado mais do que dois minutos, mas a Maria só dizia que tinha sido da velinha ao Santo António. "Ai, menina, palavra como não sei como é que me saíram as palavras do responso! Fiquei tão nervosa!" Só me apetecia esganá-la.


Entretanto eu já tinha completado a observação, que era normal, e o Rafael aninhava-se, bem disposto, ao colo da mãe.


- Margarida, ri-te que agora já podes, o menino está ótimo! Tem calma, que não foi nada.




* Valor estatístico meramente especulativo, ok? Não me citem em nenhum trabalho científico, por amor de santa Escolástica.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

[alhos e blogalhos] habemus vencedoras!*

Para o prémio do visitante 500.000 [está mesmo, mesmo ali abaixo, minha gente, mas para que querem o link, valha-me Nossa Senhora, tenho mesmo de fazer tudo nesta casa?] tivemos duas vencedoras, a Rita Oliveira e a Adriana Afonso (esta última por acaso fez anos ontem, pelo que seguem igualmente os correspondentes votos de parabéns atrasados!). Peço a ambas que me enviem a morada por mail para poder cumprir o prometido e enviar um exemplar autografado do livro "A Missão".

E perguntam vocês, ou só os mais atentos, quiçá: DUAS vencedoras? Como assim duas? Não era suposto haver apenas um visitante 500.000? E se calhar até foram mais, mas só duas se acusaram...

Pois que não é situação inédita. Não há fome que não dê em fartura, diz o povo e diz o site meter. Uma vez vi a mesma situação já não sei em que blogue (penso que n'O Arrumadinho) precisamente com o visitante 500.000, mas dessa feita o autor só tinha um prémio para oferecer e foi complicado decidir qual das visitantes 500.000 que se acusou era de facto a verdadeira, se é que tal existe, neste mundo virtual, em que tudo acontece ao mesmo tempo... Mas neste caso não faz diferença, vizinha, ora essa, por quem é, que onde se manda um também se manda dois, é só pôr mais água na sopa, que é como quem diz, mais um selo nos correios e está o assunto arrumado. Obrigada sou eu por passarem por aqui tantas vezes, que nem uma merecia a pena.

(A propósito, por acaso agora lembrei-me da blogger que em tempos pediu ao visitante 50.000 que se acusasse e ele não só se acusou como se casou com ela tempos depois! Ao que parece um casamento feliz e frutuoso, que o meu querido Santo António do Google não brinca em serviço!)

Para os que não ganharam, desejo melhor sorte para o prémio do visitante 1.000.000! Muito obrigada por estarem desse lado e andarem por aí, alguns desde há quase cinco anos, e que sorriem comigo desde então.

* Tive de ir ver a declinação do acusativo à Wikipedia, que nunca estudei latim na vida...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

[algos e blogalhos] o visitante 500.000 que se acuse!

Ora pois que estamos a chegar aos 500.000 visitantes, pelo que resolvi, qual blogger de sucesso, oferecer um exemplar autografado do meu livro "A Missão" ao visitante que provar ser o 500.000! Ora 1, 2, 3, partida, lagarta, fugida!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

[vozes brancas] das ciências da vida

Conversas no carro de uma amiga minha, colega da faculdade e uma bem disposta mãe de três filhos. Desta feita, a conversa era sobre o currículo escolar e a introdução ao estudo das ciências, que atualmente está num nível de exigência tal, que para se atingir o volume de conhecimentos que o atual ministro da educação implementou, tem de se começar pelo menos na barriga da mãe. Mas de preferência três gerações antes...


Filha nº 3, chamemos-lhe Mariana, com 4 anos acabados de completar: Mãe, hoje aprendi que há seres vivos e seres mortos...
Filho nº 2 (chamemos-lhe Dinis), de 6 anos: Hahaha! Não são seres mortos são seres inanimados....
Mariana: Não, Dinis, não estou a falar dos bonecos inimados, estou a falar das pedras e das casas....
Dinis: Não, Mariana, esses são os bonecos animados... Mas também não têm vida. Mas, olha, então uma planta é um ser quê?
Mariana: É um ser vivo... porque cresce...
Dinis: Bem, isso depende....
Filho nº1 (chamemos-lhe Miguel): Como é que depende? Estás maluco?
Dinis: É que se forem as plantas da mãe, são seres mortos! Eheh, ela nunca trata delas!
Mariana: Vês? Afinal são mesmo seres mortos... eu sabia!


Moral da história: Por mais voltas que se dê, quem sai sempre mal no figurino é a mãe!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

[balanço atrasado de 2014] sinais de desesperança...

... também não foi em 2014 que nasceu outro Cristiano Ronaldo. Aliás, desde 2012 que não nasce nenhum. O Cristiano Ronaldo mais novo do país já vai fazer 3 anos dentro de dois meses, por contraponto aos seis Cristianos Ronaldos de 2008 que já vão fazer sete anos. Acho que estamos a perder o otimismo.

[a força que um sorriso pode ter!] rápidas melhoras...


 
A minha querida Irmã Lurdes (quem conhece este blogue há algum tempo, quem leu o meu livro ou quem me conhece sabe certamente de quem estou a falar), está internada, depois de mais de um ano de doença crónica e debilitante. Nunca me saíram da mente as suas palavras, num dia em que a médica lhe disse: "A Irmã tem fé, mas sabe... Deus às vezes não é para todos...". Ao que ela respondeu: "O que quer dizer com isso? Acha que não tenho coração para aceitar tudo aquilo que Deus me quiser dar?"
 
Eu tenho inveja desta fé, desta força de amar tudo e todos, sempre sem desanimar. As melhoras, Irmã... Fique com estas imagens, que a poderão animar um pouco das saudades que certamente terá das danças de África. Coragem e confiança!

sábado, 24 de janeiro de 2015

[vozes brancas*] serão assim os geeks em pequeninos?

Não sei se já vos tinha contado, mas o meu muito amado baby-de-mulata ingressou em Setembro, com nota 20 em adaptação, no mesmo colégio onde eu andei dos dois aos dez anos. Por feliz coincidência, a auxiliar da sala dele é a mesma que me acompanhou quando eu era da idade dele. Foi ela que me deu colo, tratou dói-dóis, que me consolou ("já passou, já passou, vamos já pôr um penso!"), me ajudou a dominar a frustração quando me apetecia rasgar um trabalho porque, aos meus olhos de pequena perfecionista, qualquer imperfeição ou ruga era uma cratera ameaçadora por onde todo o meu ego se poderia esvair. Foi ela que me pôs na ordem quando eu começava a pisar o risco. Ele adora-a, tal como à educadora. Ela adora-o, como neto da sua segunda casa. E, depois de dois anos inteiros em que o deixei em casa com a minha mãe, na companhia de baby M., o seu primo quase gémeo, eu não poderia ficar mais descansada quando o deixo na escola.

Na semana passada, porém, o baby-de-mulata informou-me que no dia seguinte não seria dia de escola.

- É sim, meu, amor, amanhã é quarta feira, o pai e a mãe vão trabalhar e tu vais para a escola.
- Ah, não, não, que eu sei que não! - Gritou o baby, visivelmente nervoso. - Amanhã não é dia de escola, que eu não vou!

Peguei-lhe ao colo, apreensiva, embalei-o, fiz-lhe cócegas. Que se teria passado?
- Mas por que é que estás tão aflito? - Voltei à carga,  por fim. - O que foi que se passou?
- A Maria [auxiliar] disse que amanhã não íamos para a nossa sala, amanhã vamos para a Sala das Nuvens [uma sala de creche, com bebés de um ano] porque vão fazer obras na nossa sala.
- Mas é só por um bocadinho, a Maria vai contigo e a Teresa [educadora] também. Vão lá estar os teus colegas e tu vais ajudar a educadora e as auxiliares da Sala das Nuvens a tomar conta dos bebés, vais ajudá-las a dar-lhes a papa, vais ensiná-los a cantar e a dançar. Eles vão ficar todos contentes por te terem lá!

...
...

- Mas eu não quero, mãe! Eu não vou, já disse!
- Mas porquê? Tu gostas tanto de bebés, ajudas tanto a cuidar deles e dás-lhes tantos beijinhos quando há bebés cá em casa...
- Mas eu não quero ir para a Sala das Nuvens.
- Porquê? Ora vamos cá ver, o que tem a Sala das Nuvens?
- Pode lá estar uma trovoada! - Respondeu a fazer beicinho...

[Tive de me conter para não dar uma gargalhada! Muito sofrem as crianças... Benza-o Deus, que se não tivesse três anos era um geek!]

Voz branca - Timbre da voz de uma criança antes da puberdade.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

[vozes brancas*] literalidades...

 
- Mamã, onde vais? - Pergunta-me o baby-de-mulata, vendo-me calçar os sapatos e vestir o casaco.
- Vou ali ao multibanco, que preciso de ir levantar dinheiro.
- Posso ir contigo, posso, posso, mãe? Eu quero ir ajudar-te!
- Baby, está a chover lá fora... Deixa estar, meu amor, eu desta vez não preciso de ajuda.
- Mas eu quero ir ajudar-te, eu sou muito forte, eu consigo levantar dinheiro e pôr o dinheiro todo nas nuvens!

[Aconteceu-me o mesmo no outro dia com a expressão "céu da boca" e com a "perna da mesa". Vi-me grega para lhe explicar o conceito e no fim olhou-me, desconfiado. Insistia que o palato se devia chamar "teto da boca" porque "não estava lá muito em cima, estava já aqui" e que a perna da pesa se devia chamar "pilar". Eu sempre soube que as crianças não compreendem metáforas antes dos seis anos de idade, mas estou feita se tenho de lhe explicar cada uma das idiossincrasias da língua portuguesa e todas as suas metáforas cristalizadas em expressões do dia-a-dia...]

* Voz branca - Timbre da voz de uma criança antes da puberdade.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

[vozes brancas] felicidade é...


... estar à espera da segunda filha, passar toda a gestação a inventar estratégias para preparar o nascimento de forma a que não afete a mais velha e... chegar à hora da verdade e ver-lhe um sorriso de felicidade estampado no rosto. Passado uns dias, a babada irmã mais velha olhava embevecida para a bebé e comentou com a mãe:

- Sabes, mãe, estou tão contente... era mesmo esta mana que eu queria!

(E eu, que tenho a melhor profissão do mundo, comovi-me...)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

as melhores do serviço de urgência [dos leites de lata]

Uma das maravilhas da jovem maternidade, quando por azar do destino, opção materna ou problemas de outras ordens e desordens não se pode amamentar, é a variedade de leites de lata que existem no mercado. Ele é com bífidos e probióticos, ele é com L-PUFAs, ele é anti-obstipantes, ele é anti-refluxo, ele é pró-conforto, ele é anti-cólicas. Ultimamente apareceram ainda os que acumulam: os que são anti-cólicas e hipoalergénicos, os que são anti-refluxo e hipoalergénicos. E há mercado para tudo isto, que as crianças choram, os pais desesperam, criam-se necessidades e o mercado é cada vez mais refinado, mais gourmet e exigente. Sobretudo no que toca ao leite, bode expiatório de quase todos os males, acusado de vilanagem porque tantas vezes, em vez de nutrir, desnutre... em vez de confortar, desconforta... e em vez de acalmar só enerva!

Não que não seja útil esta variedade. E o baby-de-mulata esteve durante tempos a fazer um leite medicinal que para ele foi importantíssimo, a 60 euros a lata pequena. E continuaria a pagar de bom grado cada cêntimo se fosse necessário. É a redundância de marcas, a publicidade descarada e desenfreada e o acenar com bandeiras para marcar pequenas diferenças que me deixa cética...

Serve esta pequena introdução para vos contar que há dois dias, no serviço de urgência perguntei a uma mãe de um bebé que chorava como um bezerro desmamado: "Que leite está a dar ao menino".

- A marca não dei, doutora, mas é um leite higiénico.
- Higiénico?
- Ai... caspofungénico (true story!)
- Hipoalergénico?
[um sorriso enorme, aliviado.] - Isso!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

[graças e desgraças] deste portugal tadinho...

Desculpem, mas não resisti a partilhar este post quadripolar:
Este ano em Portugal não há Natal: o Espírito Santo faliu, o José está preso e o Jesus foi eliminado.
Se calhar ainda vai tudo parar a Santa Maria, valha-nos o Natal dos Hospitais...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

[vozes brancas] etimologias...

Para o baby-de-mulata:
- Então, meu querido, sabes onde vais com a escola amanhã?
- Vou ao planetário... Plantar o quê, mãe? Vamos lá plantar flores?

...

No dia 7 de Dezembro:
- Mamã, hoje é domingo?
- Sim, filho...
- Então amanhã é dia de escola?
- Não, meu amor, amanhã é feriado.
- Vai estar frio? Mas eu visto o casaco, prometo!

...

Isto promete! E o que se perde em propriedade vocabular, ganha-se em consciência fonológica, benza-o Deus, que lá ouvido não lhe falta!

[...and the season began] em repeat


 
E a quadra de Natal começou! Cá em casa treinamos afincadamente para a festa de Natal do colégio do baby-de-mulata, e cantamos ainda esta música que vos deixo, provavelmente a melhor canção de Natal infantil escrita nos últimos anos!
Ensinem aos vossos filhos, que a vida é simples, e o Natal também!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

[outras palavras] frase da semana!

 
Daqui...

Definição de milagre de Santa Isabel invertido: Quando imaginas que vão ser tudo rosas mas só te saem papo-secos!
Pela querida São João, senhora de uma respeitável Febre dos Fenos. Porque há coisas que lhe (nos) fazem comichão.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

[outras palavras] o lugar das birras é no birrão!

Em criança atirava-me para o chão quando me contrariavam a vontade infantil. Fazia birras. Em qualquer lugar. Terminadas, normalmente, com um açoite e mais lágrimas. Era o método pacifista de antigamente: a palmada da paz.

Entretanto passaram-se 40 anos e deparo-me com uma criança de 18 meses a pôr-se em bicos dos pés, a crescer literalmente para mim, a encostar-me à parede para poder passar. Mal termino de proferir um Não! e já a miúda está a espumar da boca, de punhos cerrados e com um olhar, primeiro suplicante, depois raivoso. Sou a mãe carrasco. E ela não é menos do que um Gremlin, dos maus.

– Não dê importância! Senão, está tramada – Palavras da pediatra. Conselhos das amigas mães.

Regras dos livros com títulos que as mães querem ouvir: O Grande Livro dos Medos e Birras; Grandes Birras, Pequenos Truques; As crianças francesas não fazem birras. – A sério? Bem, talvez possa admitir que um Laissez faire, laissez passer! dito por uma criança francesa à sua mamã não envergonhe ninguém. E conforta-me saber que terei sempre Paris.

Ninguém gosta de fitas, caprichos, comportamentos exacerbados. Nos outros, claro. Respira-se fundo, conta-se até dez, argumenta-se, depois ameaça-se e, finalmente, castiga-se.

– Ignore! Tenha paciência! – Errado. Porque ninguém ignora; finge que ignora. Finge, impacientemente, que tem toda a paciência do mundo. Porque para a criança aprender a lidar com as suas frustrações, os pais têm de engolir as suas verdadeiras reações. Porque as crianças aprendem com o exemplo dos pais que, convenhamos, são exemplares quando fazem de conta. São dos melhores artistas que tenho observado.

No meu caso estou a iniciar carreira como cantora. Nunca me deu para cantar a meio de uma discussão. Só que as birras dão mesmo cabo da sanidade mental dos pais. Por isso, dei comigo a desatar a cantar, um destes dias, quando a minha filha se atirou para o chão porque não a deixei comer um parafuso. A um prego eu até poderia ter olhado para o lado mas o parafuso soltou-me as cordas vocais.

Birras são como vilãs / Tombos indiscretos no alcatrão sujo / Rasgando os nervos das mamãs / Deitados nas Birras, alheios a tudo / Olhos lacrimejantes / Pensamentos danados.
É mauzinho mas é sincero. E funcionou pois a miúda ficou sem pio. Penso que, instintivamente, sentiu que era melhor ter cuidado comigo. Percebo-a, há dias em que penso o mesmo sobre a minha pessoa.

Quanto a ela, gosto de pensar que a miúda é expressiva. Que manifesta um forte desejo de independência em construção. Quer trocar a fralda em pé, que estando empapada em cocó, me facilita imenso a vida. Quer comer com as mãos, o que não me incomodava se não fosse puré. Não quer pôr o cinto de segurança, eu obrigo e ela tira as alças assim que arranco. Quer sempre mais uma colher de xarope e, se a deixasse, auto-medicava-se desde os 2 anos. Ah! E quer pintar as paredes, que são minhas, com os lápis de cera, que são dela. A pro-atividade impera nas crianças.

Honestamente, invejo-a. E que caiam os dentes a quem negar esta evidência: todos os adultos mentalmente saudáveis, pais ou não, invejam as birras infantis. Porque também eles, em crianças, foram lesados nas suas vontades e impedidos de reclamar, ripostar, reagir.

E como se não bastasse terem sido obrigados a desistir dos seus caprichos de infância, ainda lhes é exigido que se comportem como adultos todos os dias do resto da sua vida! Uma crueldade. Felizmente, existem os batoteiros. Que são a maioria.

Para manterem a sanidade mental, adultos e crianças, têm mesmo de despejar as vontades contrariadas. Assim, a única solução que encontro é arranjar um birrão. É como ir pôr o lixo, à noite, na rua. Todos os dias temos de o fazer, atar o saco, carregá-lo e depositá-lo no lixão. Porque se acumularmos muitas birras ficamos nauseabundos. Limpeza é sobrevivência.

Deixemos pois as crianças fazerem as suas birras. Mas à noite, na rotina do soninho, depois de lavarem os dentes devemos ensiná-las a irem pôr as birras no birrão.

Já escrevi ao Pai Natal a pedir um birrão cá para casa, tamanho familiar. Estou em pulgas.

Por Sofia Anjos, aqui.