Para o prémio do visitante 500.000 [está mesmo, mesmo ali abaixo, minha gente, mas para que querem o link, valha-me Nossa Senhora, tenho mesmo de fazer tudo nesta casa?] tivemos duas vencedoras, a Rita Oliveira e a Adriana Afonso (esta última por acaso fez anos ontem, pelo que seguem igualmente os correspondentes votos de parabéns atrasados!). Peço a ambas que me enviem a morada por mail para poder cumprir o prometido e enviar um exemplar autografado do livro "A Missão".
E perguntam vocês, ou só os mais atentos, quiçá: DUAS vencedoras? Como assim duas? Não era suposto haver apenas um visitante 500.000? E se calhar até foram mais, mas só duas se acusaram...
Pois que não é situação inédita. Não há fome que não dê em fartura, diz o povo e diz o site meter. Uma vez vi a mesma situação já não sei em que blogue (penso que n'O Arrumadinho) precisamente com o visitante 500.000, mas dessa feita o autor só tinha um prémio para oferecer e foi complicado decidir qual das visitantes 500.000 que se acusou era de facto a verdadeira, se é que tal existe, neste mundo virtual, em que tudo acontece ao mesmo tempo... Mas neste caso não faz diferença, vizinha, ora essa, por quem é, que onde se manda um também se manda dois, é só pôr mais água na sopa, que é como quem diz, mais um selo nos correios e está o assunto arrumado. Obrigada sou eu por passarem por aqui tantas vezes, que nem uma merecia a pena.
(A propósito, por acaso agora lembrei-me da blogger que em tempos pediu ao visitante 50.000 que se acusasse e ele não só se acusou como se casou com ela tempos depois! Ao que parece um casamento feliz e frutuoso, que o meu querido Santo António do Google não brinca em serviço!)
Para os que não ganharam, desejo melhor sorte para o prémio do visitante 1.000.000! Muito obrigada por estarem desse lado e andarem por aí, alguns desde há quase cinco anos, e que sorriem comigo desde então.
* Tive de ir ver a declinação do acusativo à Wikipedia, que nunca estudei latim na vida...
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
[algos e blogalhos] o visitante 500.000 que se acuse!
Ora pois que estamos a chegar aos 500.000 visitantes, pelo que resolvi, qual blogger de sucesso, oferecer um exemplar autografado do meu livro "A Missão" ao visitante que provar ser o 500.000! Ora 1, 2, 3, partida, lagarta, fugida!
domingo, 12 de outubro de 2014
[post que era para ser só um comentário] ainda as listas dos criminosos sexuais contra crianças
Obrigada por voltares, Rita! É um post brilhante e com uma excelente argumentação. Só queria acrescentar alguns pontos... Eu concordo
inteiramente contigo quanto ao facto de ser descabido publicar listas do que
quer que seja. Tu já argumentaste magistralmente
contra esse ponto. Mas a meu ver há um problema na definição de conceitos.
Mas ocasionalmente, essas pessoas interiorizam que este ato é condenado pela sociedade, podem refletir sobre isso e, sobretudo depois de terem sido condenadas por um abuso que cometeram, podem entrar em tratamento e, até certo ponto, controlar o seu impulso. Nesses talvez valha a pena investir.
A verdadeira questão é que, em criminologia em geral, e segundo a lei portuguesa em particular, os crimes de pedofilia são quaisquer crimes sexuais cometidos contra crianças ou adolescentes, pré-púberes ou não. Dentro da categoria "pedófilo" estão criminosos sexuais em geral, que cometem crimes contra qualquer pessoa e, "por acidente", também contra crianças, e psicopatas cuja escolha de crianças lhes aumenta o prazer por se tratar de alguém com menor poder e menor capacidade de reação. São sobretudo estes que passam ao ato. São quase só estes que são condenados. São quase só estes que aparecerão nas listas. Listas estas que condeno, por todas as razões que tu argumentas. Menos as que dizem que os pedófilos são tratáveis. Porque muitas vezes não são.
Confesso que por vezes não me apetece ser contra as listas. Sobretudo quando vejo uma criança atrás de outra a ser abusada pela mesma pessoa. E quando pergunto: "Mas esse homem não estava debaixo de olho? Ninguém tinha avisado a mãe que o homem que tinha metido lá em casa era um criminoso sexual?"
E as respostas não são simples. Por vezes a mãe não tinha sido avisada. Por vezes tinha sido avisada e não tinha acreditado na polícia ou na assistente social. Se o perfil dos criminosos é complexo, o perfil das vítimas é ainda mais intrincado...
Quem não é psiquiatra nem trabalha em saúde mental, pode não
ter noção que por detrás da palavra "pedófilo" podem estar conceitos
muito distintos.
Segundo o DSM, o manual/ "catálogo" de doenças
mentais, o termo "pedofilia" é isso mesmo que descreves: uma
orientação sexual. Uma atração preferencial por crianças pré-púberes, antes da
adolescência. Também diz que essa atração é egossintónica, ou seja, a pessoa
muitas vezes não se sentem mal com isso, tal não as impede de funcionar
normalmente em todos os outros aspetos da sua vida em sociedade e não cria
dificuldades inter e intrapessoais significativas. Como tal, um pedófilo assim
descrito não procura ajuda. Já daqui vem uma dificuldade. Por vezes passam ao
ato com crianças que estão ao seu alcance (dentro e fora de casa). Mas ocasionalmente, essas pessoas interiorizam que este ato é condenado pela sociedade, podem refletir sobre isso e, sobretudo depois de terem sido condenadas por um abuso que cometeram, podem entrar em tratamento e, até certo ponto, controlar o seu impulso. Nesses talvez valha a pena investir.
A verdadeira questão é que, em criminologia em geral, e segundo a lei portuguesa em particular, os crimes de pedofilia são quaisquer crimes sexuais cometidos contra crianças ou adolescentes, pré-púberes ou não. Dentro da categoria "pedófilo" estão criminosos sexuais em geral, que cometem crimes contra qualquer pessoa e, "por acidente", também contra crianças, e psicopatas cuja escolha de crianças lhes aumenta o prazer por se tratar de alguém com menor poder e menor capacidade de reação. São sobretudo estes que passam ao ato. São quase só estes que são condenados. São quase só estes que aparecerão nas listas. Listas estas que condeno, por todas as razões que tu argumentas. Menos as que dizem que os pedófilos são tratáveis. Porque muitas vezes não são.
Os tais pedófilos de que falas, os que cumprem os critérios do
DSM, sobretudo os que cometem abusos dentro das próprias famílias, quase nunca
são condenados. Por mais diferenciadas que sejam as mães e os outros
encarregados de educação, quase nunca têm coragem de levar o processo adiante
até à condenação porque não querem ver o pai das crianças preso. Porque no fundo
quem sofre sempre são as crianças. E ninguém quer que o seu filho seja apontado
como “o filho do pedófilo”.
Ou seja, neste caso (o das listas de criminosos sexuais
condenados por crimes contra crianças) pedófilos não são doentes mentais que
devem ser ajudados. Neste caso pedófilos são criminosos que, na sua maioria têm
perturbações graves da personalidade, na sua maioria psicopatas, e têm
compulsão a repetir o ato, mesmo depois de terem sido condenados. Confesso que por vezes não me apetece ser contra as listas. Sobretudo quando vejo uma criança atrás de outra a ser abusada pela mesma pessoa. E quando pergunto: "Mas esse homem não estava debaixo de olho? Ninguém tinha avisado a mãe que o homem que tinha metido lá em casa era um criminoso sexual?"
E as respostas não são simples. Por vezes a mãe não tinha sido avisada. Por vezes tinha sido avisada e não tinha acreditado na polícia ou na assistente social. Se o perfil dos criminosos é complexo, o perfil das vítimas é ainda mais intrincado...
O que eu sei é que por vezes vejo crianças, vítimas durante
anos de violência (sexual ou não), completamente destruídas por dentro na sua
autoestima e integridade psicológica, por pessoas, supostamente cuidadoras,
fossem pais, padrastos, tutores, padrinhos e que, a muito custo, as mães lá se
organizaram para se livrarem deles. E, meses ou anos depois, pergunto às mães:
"Onde está esse homem?" E elas respondem: "Tem uma nova família."
E eu arrepio-me. Quase que poderia ser a favor das listas,
não fossem elas atentados contra os direitos humanos e o direito à privacidade.
Não fossem elas prejudicar ainda mais as famílias deles, já de si devastadas.
Não fossem elas ineficazes. Mas acho que se deveria preparar melhor as equipas
que estão no terreno, articular melhor com os serviços de saúde mental, com as
associações de apoio à vítima. Deveria haver um mecanismo previsto na lei que
se poderia aplicar em caso de reincidência ou comprovada compulsão a repetir
para manter os criminosos debaixo de olho a longo prazo depois de terem sido
condenados. Isto sim era responsabilizar o estado e não criar alarme na
comunidade. Isto sim seria descansar a comunidade e não criar uma comunidade em
alerta permanente.
Obrigada mais uma vez, Rita, por voltares.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
[os meus leitores são os melhores do mundo!] lucky escape
Near miss...
Talvez um dia, daqui a uns dez anos, vos possa contar o que foi que aconteceu. Ou talvez daqui a seis meses isto já não tenha importância nenhuma. Ou talvez mesmo antes.
Muitos bloggers escrevem recorrentemente que os seus leitores são melhores que os outros todos. Porque são uns queridos, porque lhes dão muita força, porque lhes enviam presentes, porque lhes escrevem mails emotivos e lindos.
Mas hoje é a minha vez de dizer que EU é que tenho os melhores leitores do mundo! E mais não digo porque não posso, embora me apetecesse falar de tubarões, de pessoas que destilam ódio de tal modo que me incomodam só de olhar para elas, embora me apetecesse falar da minha estrelinha que não me deixou ser devorada viva. O que me aconteceu, graças a um assíduo frequentador deste mato, foi o que se vê na imagem! A very, very near miss... Ou então o meu Pai é mesmo o dono disto tudo e nada de mal me teria acontecido de qualquer modo. Hoje, mais uma vez, estou agradecida... A vida é, de facto, surpreendente!
sexta-feira, 17 de maio de 2013
[psicanálise selvagem] lapsus linguae
Na consulta há uns tempos, a madrasta de uma criança relatava-me a consulta Psicologia a que tinha acompanhado a enteada tempos antes. Queixara-se na consulta de que a enteada estava o tempo todo agarrada ao pai (marido da "queixosa") e que aquela dupla imbatível tinha um fim catastrófico anunciado. Que ele lhe fazia as vontades todas, que ele não a ajudava a fazer os trabalhos de casa e que até dormia com ela se lhe pedisse.
Concordei que eram tudo maus hábitos e formas de funcionar que não promoviam a autonomia da criança.
- Pois, doutora, a psicóloga lá nos esteve a explicar que a menina ainda estava numa fase muito Edipeniana e que era preciso acompanhamento...
Eu concordei novamente, mas tive de deixar cair a caneta ao chão, Valha-me São Freud de Viena! Não consegui evitar um sorriso... O que será uma fase edipeniana? Ah, sim, aquela fase tão importante e específica do desenvolvimento em que o Édipo fica com inveja do pénis?
Concordei que eram tudo maus hábitos e formas de funcionar que não promoviam a autonomia da criança.
- Pois, doutora, a psicóloga lá nos esteve a explicar que a menina ainda estava numa fase muito Edipeniana e que era preciso acompanhamento...
Eu concordei novamente, mas tive de deixar cair a caneta ao chão, Valha-me São Freud de Viena! Não consegui evitar um sorriso... O que será uma fase edipeniana? Ah, sim, aquela fase tão importante e específica do desenvolvimento em que o Édipo fica com inveja do pénis?
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
[alhos e blogalhos] valha-me nossa senhora do google
Meus queridos amigos, eu não gosto de vos importunar com "bloguices" aqui do mato, até porque qualquer vizinho de morada do blogspot também deve ter histórias igualmente engraçadas...
A verdade é que hoje venho aqui carpir as minhas mágoas. Muito me agradaria continuar a dizer que a maioria dos visitantes que aqui desagua, navegando à boleia do google, vem à procura de "mulatas nuas" e de "mulatas selvagens", mas infelizmente, nos últimos tempos, o top 10 das pesquisas tornou-se, lamentavelmente, mais educado e decente. Eu sempre confiei que o nome deste mato pudesse atrair para sempre pesquisas mais interessantes, mas parece que já não conseguimos enganar ninguém...
O que ainda me vale, para animar o sitemeter, são os senhores que têm a bússola cibernética avariada e vêm naufragar aqui ao mato com pesquisas que não lembram ao menino Jesus.
Ora então temos as últimas pesquisas pertinentes que vieram aqui aportar:
- Imagens de Santo Mé e Príncipe (!) - Oh, valha-me São Mé, santo padroeiro dos ovinos e caprinos, segundo o nosso comentador honoris causa.
- Lista de todas as vadias de Nampula até Cuamba - Credo, ó senhores... Mas precisava mesmo de ser uma lista de todas, todas? Se fosse assim umas quatro ou cinco ainda se conseguia arranjar. Eu própria conheci e tratei algumas no hospital de Iapala e ainda me recordo dos nomes, mas mais do que isso não conseguimos. De qualquer modo, aqui ficam os meus sinceros parabéns pelo otimismo! Acreditar que é possível, num qualquer recanto blogosférico, encontrar uma lista deste calibre é algo digno de um homem de fé!
- A Santa do Eixo da Via - Ora que bela ideia! Deve ser a santa padroeira dos chapas! Eles andam a velocidades suicidas sem nunca se desviarem um milímetro do meio da estrada. E nós, os condutores com algum apego à vida, acabamos por ir parar à berma o mais rapidamente possível, mesmo arriscando a pele no voo lateral...
- Pode-se tomar pau de cabinda com o mata-bicho? - Bem, poder pode. Com o mata-bicho, com uma cerveja, com um café... Mas com a namorada penso que seria mais agradável. Mas cada um sabe de si.
- Baptiza Qualquer Rato - Meu senhor, não vejo por que não! Que mal pode haver nisso? Qualquer rato também é filho de Deus e produto da Sua divina criação, passe o pleonasmo. Em tempos houve um bispo em Utrecht que chegou a batizar uma mola hidatiforme! Uma mola hidatiforme de uma condessa, é certo, mas ainda assim... E aqui a história assevera-nos, mais uma vez, que um bispo nunca se atrapalha, que um bispo enrascado é pior que um anestesista bêbado. E reza, pois, a história que o digníssimo clérigo dividiu aquela massa vesiculosa em 365 partes iguais e batizou metade com o nome de João e a outra metade com o nome de Isabel e mandou depois fazer-lhes um funeral condigno.
- Banhos para atrair mulheres funcionam mesmo? - Por acaso esta já tinha aparecido antes... Bem, meus senhores, estudos científicos por acaso não temos. Mas temos uma teoria ...
- Afinação para vinte vozes brancas - Ai, meu amigo, deixe-se disso... Esqueça! Mesmo. Dedique-se a outra coisa. Vai ser uma canseira sem proveito nenhum. O próprio Bach nunca passou da afinação para quatro vozes. E mesmo assim sabe Deus!
A todos estes senhores, que conseguiram cá chegar com apenas estas coordenadas, os meus parabéns e o meu mais sincero obrigada pelos sorrisos que me proporcionaram!
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
[publicidade institucional] habemus librum!
Tinha de partilhar isto convosco: vou lançar um livro! Um quase diário sobre a vida no hospital em Moçambique, com tudo o que havia de maravilhoso, de horrendo, de hilariante e de improvável...
Era um sonho antigo, mas que achava muito difícil que se concretizasse... Já muita gente me tinha sugerido que desse a conhecer a realidade que vivi, desde os meus amigos até aos meus queridos leitores, que fazem o favor de vir aqui ao mato mimar esta loira, cujo coração negro pulsa intensamente ao som de África.
Há tempos enviei o manuscrito para várias editoras e ainda foram algumas (umas seis ou oito) que me deram parecer positivo. Mas nenhuma das propostas me agradou... Sim, eu sei, em alguns aspectos sou uma mulher mesmo difícil de agradar.
Depois comecei a pensar em editar o livro com o patrocínio da ONG que me apoia nas missões, que tinha a certeza que me diria imediatamente que sim, ou fazer eu própria uma edição de autor. Sei que isso é comum, que provavelmente não teria prejuízo nem daria prejuízo a ninguém, mas no fundo não me parecia razoável. Será que fazia sentido gastar tanto dinheiro, sabendo que podia ser muito mais bem gasto directamente nos projectos da missão? Não, de maneira nenhuma! Seria um exercício de narcisismo gratuito. E, alheio a todos estes impasses, o manuscrito continuava alegremente na gaveta.
Mas há três semanas voltei a enviar o original a várias editoras. E houve uma que me respondeu logo três dias depois! Estavam entusiasmadíssimos com a leitura e queriam publicar imediatamente. Dias depois outra e outra e outra. Felizmente não tive de escolher. A escolha já era óbvia à partida. Depois perceberão porquê... Nem tempo tive de respirar. Assinei o contrato de publicação. Os direitos de autor vão, obviamente, reverter a favor da ONG que sempre me apoiou, e agora andamos numa lufa-lufa de capas, títulos, tamanhos de letra, prefácios e posfácios...
Em suma, meus queridos amigos: Habemus librum! Ainda não temos capa, nem título (acharam que beijo-de-mulata não era um título decente, snif), nem prefácio, nem posfácio, nem agradecimentos, mas havemos de ter isso tudo, se Deus quiser, como um livro de verdade. Porque vai já sair a 26 de Outubro!
Era um sonho antigo, mas que achava muito difícil que se concretizasse... Já muita gente me tinha sugerido que desse a conhecer a realidade que vivi, desde os meus amigos até aos meus queridos leitores, que fazem o favor de vir aqui ao mato mimar esta loira, cujo coração negro pulsa intensamente ao som de África.
Há tempos enviei o manuscrito para várias editoras e ainda foram algumas (umas seis ou oito) que me deram parecer positivo. Mas nenhuma das propostas me agradou... Sim, eu sei, em alguns aspectos sou uma mulher mesmo difícil de agradar.
Depois comecei a pensar em editar o livro com o patrocínio da ONG que me apoia nas missões, que tinha a certeza que me diria imediatamente que sim, ou fazer eu própria uma edição de autor. Sei que isso é comum, que provavelmente não teria prejuízo nem daria prejuízo a ninguém, mas no fundo não me parecia razoável. Será que fazia sentido gastar tanto dinheiro, sabendo que podia ser muito mais bem gasto directamente nos projectos da missão? Não, de maneira nenhuma! Seria um exercício de narcisismo gratuito. E, alheio a todos estes impasses, o manuscrito continuava alegremente na gaveta.
Mas há três semanas voltei a enviar o original a várias editoras. E houve uma que me respondeu logo três dias depois! Estavam entusiasmadíssimos com a leitura e queriam publicar imediatamente. Dias depois outra e outra e outra. Felizmente não tive de escolher. A escolha já era óbvia à partida. Depois perceberão porquê... Nem tempo tive de respirar. Assinei o contrato de publicação. Os direitos de autor vão, obviamente, reverter a favor da ONG que sempre me apoiou, e agora andamos numa lufa-lufa de capas, títulos, tamanhos de letra, prefácios e posfácios...
Em suma, meus queridos amigos: Habemus librum! Ainda não temos capa, nem título (acharam que beijo-de-mulata não era um título decente, snif), nem prefácio, nem posfácio, nem agradecimentos, mas havemos de ter isso tudo, se Deus quiser, como um livro de verdade. Porque vai já sair a 26 de Outubro!
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
[as melhores do serviço de urgência] doença mística...
Ontem uma colega minha, cardiologista de adultos, foi abordada no serviço de urgência pela mulher de um doente internado. Vinha visitar o marido, que acabava de fazer um catecismo* ao coração porque tinha tido uma homilia** no cérebro... Técnica pioneira, meus amigos, e absolutamente genial! Foi preciso deixar passar a idade média, o renascimento, a idade moderna e mais uns bons aninhos para se passar do exorcismo, que removia demónios do corpo, para o catecismo, que remove homilias alojadas do cérebro, atraindo-as para um catecismo estrategicamente colocado no coração... Não tem como falhar!
* Cateterismo;
** Embolia.
sábado, 18 de agosto de 2012
[a melhor piada blogosférica] pickwickian syndrome
Na quinta feira passada, a São João escreveu:
* Pronto, pronto, não digam que sou hermética. Os que não estudaram Medicina podem ir ali documentar-se sobre o assunto.
Resumo do dia de ontem: acordei, tomei o pequeno almoço, fui dar uma volta a pé, almocei, dormi a sesta, bebi um chá com torradas, tentei ler o Pickwick mas adormeci (...)Bem... se calhar só eu é que dei pela piada, mas é muito boa*!
* Pronto, pronto, não digam que sou hermética. Os que não estudaram Medicina podem ir ali documentar-se sobre o assunto.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
[alhos e blogalhos] ousadias...
Todos os dias chega a este mato gente angustiada com uma questão a que eu já respondi diversas vezes. E, mesmo assim, muitos ainda conseguem errar o post. Todos os dias sai daqui gente cabisbaixa, sem um sim, sem um sopas, sem uma pista de
qualquer tipo quando tudo o que bastava era rezar um responso ao meu Santo Antoninho do Google ali naquele quadradinho à direita, que ele fazia o trabalho todo...
Estou cansada, meus amigos, será que ainda não chega? Será que, por mais que tranquilize as pessoas que vêm de propósito aqui ao mato buscar respostas como se eu fosse um curandeiro, tenho de voltar sempre a responder à mesma pergunta? E tudo por culpa desta história.
Mas hoje resolvi responder novamente. Uma senhora ganhou a minha simpatia porque veio parar aqui tão longe com a seguinte pergunta:
- É possível beijar ousando prótese dentária?
E a minha resposta de hoje é, sem qualquer sombra de dúvida: Ouse, minha amiga, ouse sempre! Não tenha medo de ser ousada, que o mundo é dos ousados e a sorte protege os audazes! E o que se leva desta vida é o que se fez com o coração. De qualquer forma, minha querida, eu digo-lhe mais um segredo: ninguém beija com os dentes, sossegue. Esteja tranquila, que vai tudo correr bem.
Estou cansada, meus amigos, será que ainda não chega? Será que, por mais que tranquilize as pessoas que vêm de propósito aqui ao mato buscar respostas como se eu fosse um curandeiro, tenho de voltar sempre a responder à mesma pergunta? E tudo por culpa desta história.
Mas hoje resolvi responder novamente. Uma senhora ganhou a minha simpatia porque veio parar aqui tão longe com a seguinte pergunta:
- É possível beijar ousando prótese dentária?
E a minha resposta de hoje é, sem qualquer sombra de dúvida: Ouse, minha amiga, ouse sempre! Não tenha medo de ser ousada, que o mundo é dos ousados e a sorte protege os audazes! E o que se leva desta vida é o que se fez com o coração. De qualquer forma, minha querida, eu digo-lhe mais um segredo: ninguém beija com os dentes, sossegue. Esteja tranquila, que vai tudo correr bem.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
[alhos e blogalhos] valha-me nossa senhora do sporting!
Mas o que é isto, minha gente, que não param de chegar aqui ao mato cibernautas perdidos à procura dos "balneários de alvalade"? Alguém os ajude, por favor!, que as necessidades fisiológicas não podem esperar assim tanto e eles já devem estar aflitinhos de todo. Eu própria confesso que também já estou a ficar nervosa! Em último caso, meus senhores, venham aqui ao mato, pronto.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
[alhos e blogalhos] valha-nos santo antónio do google
Meus queridos amigos, eu bem sei que vos disse aqui há atrasado que ia deixar de vos interromper com as pesquisas improváveis dos senhores que têm a bússola cibernética avariada* e vêm naufragar aqui ao mato. Às vezes, para cúmulo do azar, até se perdem por cá e nunca mais voltam a ser avistados noutros portos, o que é uma pena. Sobretudo para os outros portos, que nós aqui não discriminamos ninguém e estamos sempre satisfeitos com quem cá temos, graças a Deus...
Mas como eu ia dizendo, eu cheguei a prometer-vos que não voltava a falar de improbabilidades destas, mas pelo menos uma vez por ano tem de ser, minha gente. Por acaso não têm muita piada [senão claro que vos interrompia mais vezes], geralmente são os já enfadonhos "mulatas nuas" e "mulatas selvagens", mas enfim, quem dá o que tem...
- [Ler com o sotaque de quem tem um palito ao canto da boca] Histórias de gajas que deram à luz num autocarro - Enfim, propriamente num autocarro não temos, meu senhor, mas se não se importar que tenha sido na estação de serviço onde o autocarro foi abastecer, até se arranja qualquer coisa. E com alguma sorte ainda leva uma bifana e uma mine.
- Caricatura da cabeça de uma águia com uma frase bíblica por baixo - Não é aqui!!! Nós não temos cá disso, lagarto, lagarto, lagarto! Onde é que viu isso escrito?
- Pode-se baptizar uma criança com água quente? - [Resposta com fala afectada] Ora, minha amiga [não sei ao certo se era mulher, mas vá, é cá um feeling], ainda bem que pergunta isso! Eu por acaso até sei a resposta, a menina é que nunca tinha perguntado... A resposta é sim, a água quente também pode ser litúrgica. E asseguro-lhe que, quando o sol batia nas águas do rio Jordão no pino do meio-dia, aquelas correntes deviam ser um jacuzzi autêntico!
- Imagens do balneário de alvalade - Temos pena, mas isto é um blogue sério.
- Os banhos para atrair mulheres funcionam mesmo? - Bem, meus senhores... por acaso estudos científicos com grau de evidência A também não temos. Mas temos uma teoria sobre isso...
Gostaria, por fim, de atribuir uma menção honrosa ao cibernauta que cá veio aportar à procura de um "anão com prótese dentária e navalha de barba na mão".
A todos estes senhores, que conseguiram cá chegar com estas coordenadas, os meus parabéns!
* Ou então andam a ser vítimas do meu Santo Antoninho do google. Ele um bocado folgazão, como todos bem sabemos. É santo mas não é anjinho nenhum, se bem que me compreendem, e gosta de mangar com o povo.
Mas como eu ia dizendo, eu cheguei a prometer-vos que não voltava a falar de improbabilidades destas, mas pelo menos uma vez por ano tem de ser, minha gente. Por acaso não têm muita piada [senão claro que vos interrompia mais vezes], geralmente são os já enfadonhos "mulatas nuas" e "mulatas selvagens", mas enfim, quem dá o que tem...
- [Ler com o sotaque de quem tem um palito ao canto da boca] Histórias de gajas que deram à luz num autocarro - Enfim, propriamente num autocarro não temos, meu senhor, mas se não se importar que tenha sido na estação de serviço onde o autocarro foi abastecer, até se arranja qualquer coisa. E com alguma sorte ainda leva uma bifana e uma mine.
- Caricatura da cabeça de uma águia com uma frase bíblica por baixo - Não é aqui!!! Nós não temos cá disso, lagarto, lagarto, lagarto! Onde é que viu isso escrito?
- Pode-se baptizar uma criança com água quente? - [Resposta com fala afectada] Ora, minha amiga [não sei ao certo se era mulher, mas vá, é cá um feeling], ainda bem que pergunta isso! Eu por acaso até sei a resposta, a menina é que nunca tinha perguntado... A resposta é sim, a água quente também pode ser litúrgica. E asseguro-lhe que, quando o sol batia nas águas do rio Jordão no pino do meio-dia, aquelas correntes deviam ser um jacuzzi autêntico!
- Imagens do balneário de alvalade - Temos pena, mas isto é um blogue sério.
- Os banhos para atrair mulheres funcionam mesmo? - Bem, meus senhores... por acaso estudos científicos com grau de evidência A também não temos. Mas temos uma teoria sobre isso...
Gostaria, por fim, de atribuir uma menção honrosa ao cibernauta que cá veio aportar à procura de um "anão com prótese dentária e navalha de barba na mão".
A todos estes senhores, que conseguiram cá chegar com estas coordenadas, os meus parabéns!
* Ou então andam a ser vítimas do meu Santo Antoninho do google. Ele um bocado folgazão, como todos bem sabemos. É santo mas não é anjinho nenhum, se bem que me compreendem, e gosta de mangar com o povo.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
[alhos e blogalhos] obrigada, santo antónio do google
Eu queixo-me, é verdade. Queixo-me muito dos que vêm aqui ter a este mato à procura de "mulatas selvagens" e afins (essas pesquisas continuam, obviamente, no top deste blogue, como não podia deixar de ser, que eu até me ofendia!)... Queixo-me em parte porque acho graça. Os queixumes têm ritmo, têm uma musicalidade própria e sobretudo despertam alguma reacção por parte do outro. Um carinho se forem queixas pertinentes ou, na maior parte das vezes, já que são despropositadas, evocam um sorriso condescendente, daqueles que dizem "pronto, pronto, tem graça as pessoas virem ter aqui ao mato com pesquisas absolutamente ao lado". E ficamos por aí.
Já o dizer bem tem menos ritmo e, para mim, tem menos graça, por isso nunca falo das pesquisas que me enternecem e me enchem a alma. Daquelas pesquisas certeiras. Das pessoas que têm tanta fé no Santo António do google que é só fechar os olhos e "puf", teletransportam-se até cá antes que consigam terminar a primeira frase do responso.
Isto para dizer que adoro quando vejo que houve gente que cá veio parar à procura de fotos de Iapala, de Ribáuè, do Gilé ou de Milevane. Inclusivamente houve uma pessoa que veio à procura da sua escola primária. A pessoa que queria ver uma "foto recente da escola primária de Iapala" queria mesmo ver a fotografia que postei aqui há atrasado... É bom. É mesmo bom, saber que às vezes este mato também serve para mais do que para disparates e sorrisos condescendentes. Uma fotografia não mata saudades, mas às vezes alivia e conforta. Quando a mim própria me assaltam saudades e me ponho a navegar à procura de outros olhares, mais do que matar saudades, conforta-me saber que mais alguém foi tocado por aquelas imagens, mais alguém as considerou dignas de um post, mais alguém amou aquelas paragens. E que possivelmente também foi feliz por lá... A todos os que vêm aqui ao mato, nem que seja por incidente: tenham um bom dia.
Já o dizer bem tem menos ritmo e, para mim, tem menos graça, por isso nunca falo das pesquisas que me enternecem e me enchem a alma. Daquelas pesquisas certeiras. Das pessoas que têm tanta fé no Santo António do google que é só fechar os olhos e "puf", teletransportam-se até cá antes que consigam terminar a primeira frase do responso.
Isto para dizer que adoro quando vejo que houve gente que cá veio parar à procura de fotos de Iapala, de Ribáuè, do Gilé ou de Milevane. Inclusivamente houve uma pessoa que veio à procura da sua escola primária. A pessoa que queria ver uma "foto recente da escola primária de Iapala" queria mesmo ver a fotografia que postei aqui há atrasado... É bom. É mesmo bom, saber que às vezes este mato também serve para mais do que para disparates e sorrisos condescendentes. Uma fotografia não mata saudades, mas às vezes alivia e conforta. Quando a mim própria me assaltam saudades e me ponho a navegar à procura de outros olhares, mais do que matar saudades, conforta-me saber que mais alguém foi tocado por aquelas imagens, mais alguém as considerou dignas de um post, mais alguém amou aquelas paragens. E que possivelmente também foi feliz por lá... A todos os que vêm aqui ao mato, nem que seja por incidente: tenham um bom dia.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
[alhos e blogalhos] o senhor do kuwait
Meus queridos amigos... hoje venho aqui para carpir as minhas mágoas. Então não é que o senhor do Kuwait, por quem eu nutria tanta estima, tanto respeito e admiração pela persistência e honestidade, que vinha aqui ao mato de propósito visitar-me, à boleia do meu Santo Antoninho do google, buscando o "nome científico da flor beijo-de-mulata", acabou de me dar um desgosto inenarrável?
Nem queria acreditar quando hoje abri o StatsCounter e percebi que o mesmo senhor que motivou um post inteiro para o seu esclarecimento, passou a vir aqui ter ao mato pesquisando por "mulatas selvagens". Foi um golpe baixo, meus amigos, muito baixo... Uma menina, recatada e púdica, de boas famílias e com a melhor das intenções decide fazer serviço público a bem de uma pessoa e dos que mais partilharem a mesma angústia por essa blogosfera acima* e depois, só para me magoar, tenho a certeza!, o próprio senhor reage com uma afronta destas? Eu ando um pouco sensível, é certo. E um pouco irritável, também, mas digam-me, meus amigos, depois deste post, de puro serviço público e altruísmo, eu merecia isto? O desencanto, meus amigos, é a pior forma de solidão... E nem me digam nada, que a minha vida são só desilusões... e mojitos, vá. E outras coisas, pronto. Mas... mas... ainda assim eu acho que não merecia isto.
* Desculpem, mas soava-me mal a aliteração "por essa blogosfera fora".
Nem queria acreditar quando hoje abri o StatsCounter e percebi que o mesmo senhor que motivou um post inteiro para o seu esclarecimento, passou a vir aqui ter ao mato pesquisando por "mulatas selvagens". Foi um golpe baixo, meus amigos, muito baixo... Uma menina, recatada e púdica, de boas famílias e com a melhor das intenções decide fazer serviço público a bem de uma pessoa e dos que mais partilharem a mesma angústia por essa blogosfera acima* e depois, só para me magoar, tenho a certeza!, o próprio senhor reage com uma afronta destas? Eu ando um pouco sensível, é certo. E um pouco irritável, também, mas digam-me, meus amigos, depois deste post, de puro serviço público e altruísmo, eu merecia isto? O desencanto, meus amigos, é a pior forma de solidão... E nem me digam nada, que a minha vida são só desilusões... e mojitos, vá. E outras coisas, pronto. Mas... mas... ainda assim eu acho que não merecia isto.
* Desculpem, mas soava-me mal a aliteração "por essa blogosfera fora".
domingo, 26 de junho de 2011
[alhos e blogalhos] serviço público beijo-de-mulata
Ele há coisas que me inquietam... Ora diz o meu StatsCounter-ou-coisa-que-o-valha, nunca sei como raio se chama, que há um senhor residente no Kuwait que persistentemente vem aqui ao mato há meses à procura do nome científico do beijo-de-mulata. Às vezes acrescenta da flor beijo-de-mulata, a ver se assim vai ter a locais mais próprios, com gente mais vestida e público mais selecto mas, invariavelmente, ó azar dos azares, vem parar aqui. Claro que este é um blog decente (tem dias...), com um público mais do que selecto e educado (também tem dias, como de resto se pode ver nos posts da rubrica alhos e blogalhos, mas enfim, genericamente é verdade), só que não tem tido respostas para este senhor...
Mas do Kuwait, valha-me Deus, ainda se vivesse mesmo aqui ao lado, agora vir do Kuwait para o mato, ainda que venha à boleia do meu Santo António do google e não de chapa, dá trabalho, minha gente! Não sei o que vem aqui fazer, tanto mais que a resposta se encontra mais facilmente consultando o Dr. Google do que este canto atrás do sol posto, mas deixa-me sempre perturbada. Isto aqui é mato, meus amigos, não há nada de científico por aqui, estão ali na coluna da direita os meus mais assíduos leitores que não me deixam mentir... mas hoje resolvi que basta! Tinha de fazer alguma coisa por essa pobre alma que vagueia por aqui e sabe-se lá por onde mais. Senhor residente no Kuwait, não sofra mais! A resposta está aqui.
Pronto. Era só isto. Voltemos para o mato, que ainda temos muito que trabalhar hoje!
Mas do Kuwait, valha-me Deus, ainda se vivesse mesmo aqui ao lado, agora vir do Kuwait para o mato, ainda que venha à boleia do meu Santo António do google e não de chapa, dá trabalho, minha gente! Não sei o que vem aqui fazer, tanto mais que a resposta se encontra mais facilmente consultando o Dr. Google do que este canto atrás do sol posto, mas deixa-me sempre perturbada. Isto aqui é mato, meus amigos, não há nada de científico por aqui, estão ali na coluna da direita os meus mais assíduos leitores que não me deixam mentir... mas hoje resolvi que basta! Tinha de fazer alguma coisa por essa pobre alma que vagueia por aqui e sabe-se lá por onde mais. Senhor residente no Kuwait, não sofra mais! A resposta está aqui.
Pronto. Era só isto. Voltemos para o mato, que ainda temos muito que trabalhar hoje!
domingo, 6 de fevereiro de 2011
[alhos e blogalhos] valha-me santo antónio do google
A Nossa Senhora do google pelos vistos não anda a dar conta do recado. A ver agora o que Santo Antoninho faz por mim, seja ele de Lisboa, de Pádua, de Namecuna, uma aldeia próxima de Iapala*, onde consta que também já terá aparecido um Santo António milagreiro ou, simplesmente, do google, onde parece que nos encontramos todos hoje em dia...
Meus queridos amigos, é verdade que ando intrigada: alguém me consegue explicar como é possível que uma pessoa que venha ter aqui ao mato buscando no google "mulatas selvagens" vá, invariavelmente, parar ao post sobre o improvável acordar do Bispo D. Manuel Vieira Pinto em Iapala, rodeado de galinhas?
Aliás, quando recebo mails de homens que me dizem qualquer coisa como "fui parar ao teu blogue por acaso" imagino sempre que devem ter começado por ler este episódio...
*Província de Nampula, Norte de Moçambique
Meus queridos amigos, é verdade que ando intrigada: alguém me consegue explicar como é possível que uma pessoa que venha ter aqui ao mato buscando no google "mulatas selvagens" vá, invariavelmente, parar ao post sobre o improvável acordar do Bispo D. Manuel Vieira Pinto em Iapala, rodeado de galinhas?
Aliás, quando recebo mails de homens que me dizem qualquer coisa como "fui parar ao teu blogue por acaso" imagino sempre que devem ter começado por ler este episódio...
*Província de Nampula, Norte de Moçambique
sábado, 22 de janeiro de 2011
[alhos e blogalhos] valha-me nossa senhora do google!
O nosso correspondente honoris causa radicado no Chimoio (não, afinal não era na África do Sul, já tínhamos ultrapassado isso...) que nos desculpe mas desta não nos vamos poder conter... Então não é que houve um pobre senhor (azarado, para não dizer outro nome) que chegou aqui ao mato à boleia do google à procura de uma receita para preparar um "banho de maria-sem-vergonha para atrair mulheres"? Desta vez o meu StatsCounter não identificou país nenhum, mas identifico eu, que só um brasileiro poderia chamar maria-sem-vergonha ao meu beijo-de-mulata. Mas... um banho para atrair mulheres, valha-me a Santa do Pau Preto?! Isso não lembra ao careca, para não dizer que não lembra ao diabo nem ao Menino Jesus, que a este último certamente que nem lhe passa pela cabeça e ao diabo lembra de certeza, isso e muito mais...
Pobre homem... até aposto que foi precisamente uma mulher que lhe vendeu esta ideia peregrina para o convencer de que tomar banho era a única maneira de deixar de fazer o sexo oposto fugir espavorido... E não se lembrou de nada menos do que de uma flor com um nome tão sugestivo como maria-sem-vergonha para lhe preparar um banhinho. Tudo em nome do amor de uma maria, de preferência sem um pingo de vergonha (ler com sotaque brasileiro) para ser tudo mais rápido, que me parece que um homem que se dá ao trabalho de vir aqui tão longe para procurar uma receita é capaz de ser tomado de algumas urgências.
Mas até aqui tudo certo, vai um homem lavadinho, se calhar ainda não cheiroso, que as instruções não lhe deram para tanto, mas vá, lavadinho já não será mau, relaxado e cheio de auto-confiança, com o ego afagado por um banho com flores lindíssimas e a maria está no papo. Isto, obviamente, desde que a maria não tenha um gosto muito refinado e que também esteja para aí virada, que mulher desesperada foi coisa que sempre existiu desde que o mundo é mundo e esta maria bem que nos podia fazer o jeitinho que temos de terminar o post, que a nossa vida não é isto.
O problema é que (sim, eu não estaria com esta conversa toda se não houvesse um problema) a vincristina que se extrai do beijo-de-mulata, um medicamento para tratar a leucemia, pode ser absorvida através da pele e provocar anemias gravíssimas, disfunção eréctil e alterações na coordenação motora*... Portanto aqui fica o aviso, caros senhores que andam pelo google em busca de um banho de sex-appeal: tomem banho com outra coisa (sei lá, tipo gel de banho), seja para atrair mulheres, seja para a higiene pessoal, que só lhes faz bem. Já com o beijo-de-mulata tudo o que se ganha em desejo, auto-confiança e sex appeal perde-se em performance, sem apelo nem agravo... Seria um banho envenenado, um autêntico assassinato, valha-me Nossa Senhora do Saca-rolhas! E quem me avisa meu amigo é. Pronto. Tenho dito. (O que eu gosto de fazer serviço público!) A emissão seguirá assim que eu conseguir respirar fundo novamente.
* Não é à toa que para os Macuas, que são um povo sábio, as palavras medicamento e veneno são uma só (murrette).
Pobre homem... até aposto que foi precisamente uma mulher que lhe vendeu esta ideia peregrina para o convencer de que tomar banho era a única maneira de deixar de fazer o sexo oposto fugir espavorido... E não se lembrou de nada menos do que de uma flor com um nome tão sugestivo como maria-sem-vergonha para lhe preparar um banhinho. Tudo em nome do amor de uma maria, de preferência sem um pingo de vergonha (ler com sotaque brasileiro) para ser tudo mais rápido, que me parece que um homem que se dá ao trabalho de vir aqui tão longe para procurar uma receita é capaz de ser tomado de algumas urgências.
Mas até aqui tudo certo, vai um homem lavadinho, se calhar ainda não cheiroso, que as instruções não lhe deram para tanto, mas vá, lavadinho já não será mau, relaxado e cheio de auto-confiança, com o ego afagado por um banho com flores lindíssimas e a maria está no papo. Isto, obviamente, desde que a maria não tenha um gosto muito refinado e que também esteja para aí virada, que mulher desesperada foi coisa que sempre existiu desde que o mundo é mundo e esta maria bem que nos podia fazer o jeitinho que temos de terminar o post, que a nossa vida não é isto.
O problema é que (sim, eu não estaria com esta conversa toda se não houvesse um problema) a vincristina que se extrai do beijo-de-mulata, um medicamento para tratar a leucemia, pode ser absorvida através da pele e provocar anemias gravíssimas, disfunção eréctil e alterações na coordenação motora*... Portanto aqui fica o aviso, caros senhores que andam pelo google em busca de um banho de sex-appeal: tomem banho com outra coisa (sei lá, tipo gel de banho), seja para atrair mulheres, seja para a higiene pessoal, que só lhes faz bem. Já com o beijo-de-mulata tudo o que se ganha em desejo, auto-confiança e sex appeal perde-se em performance, sem apelo nem agravo... Seria um banho envenenado, um autêntico assassinato, valha-me Nossa Senhora do Saca-rolhas! E quem me avisa meu amigo é. Pronto. Tenho dito. (O que eu gosto de fazer serviço público!) A emissão seguirá assim que eu conseguir respirar fundo novamente.
* Não é à toa que para os Macuas, que são um povo sábio, as palavras medicamento e veneno são uma só (murrette).
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
[serviço público beijo-de-mulata] como ajudar a dar à luz numa bomba de gasolina
Pronto, eu não resisto. Nunca resisto a este chamamento. Consigo resistir a tudo menos à tentação... Que me perdoem os que vêm aqui ao mato para ouvir histórias de Moçambique, recordar, conhecer, sonhar com terras vermelhas e areais brancos a perder de vista, aplacar desejos e renovar amores... Já bem vos basta ouvirem-me babar vezes sem conta com as peripécias e vozes brancas dos meus meninos da consulta. Portanto perdoem-me, por favor, passem aos posts abaixo, que há por aí muitas histórias que ainda não leram, certamente. Já me conhecem, eu de vez em quando também faço serviço público.
A verdade é que quando alguém confessa fragilidades, feridas e angústias lá me apresso eu a ir fazer um penso rápido, a tentar mitigar dores e desfazer mitos... Desta feita, uma jornalista que tenho em grande conta confessou publicamente a sua inusitada angústia em ir a casas de banho de bombas de gasolina por receio de que lá esteja alguém a dar à luz (alguém viu Os Mutantes, de Teresa Vilaverde?). Por isso, aqui venho eu, caros amigos, dizer que não há que ter medo. Se a circunstância acontecer (e acontece aos melhores, eu que o diga), o importante é estar preparado, arregaçar as mangas e fazer-se à vida, que ela aí vem disparada!
Não custa nada, acreditem, mas de qualquer modo aqui vão umas dicas. Como fazer um parto numa bomba de gasolina em 20 passos:
1. Repetir como um refrão: "Faça força, faça força!" [Um segredo: por acaso não é preciso. As mães têm sempre uma vontade incrível de fazer força quando chega o momento da verdade, mas é como se fosse uma banda sonora que compõe o ambiente... e sempre dá um ar de maternidade.] Um outro refrão que também tem muita saída nas maternidades é o: "Respire!" É muito útil. Sobretudo se a parturiente sofrer da Maldição de Ondine. Ou então se for loira. De outro modo é improvável que se esqueça de que tem de respirar. Mas é bom para variar um bocadinho e dá um ar mais profissional à coisa.
2. Chamar o INEM. Mantenham a calma, eles demoram a atender mas atendem sempre. Mais tarde ou mais cedo lá atendem! Vá, respirem fundo também.
3. Continuem, então! Mas porque é que pararam? Repitam comigo: "Faça força, faça força!"
4. Não ligar às indicações dos senhores do INEM que lhes dizem que devem incentivar a senhora a não fazer força. Na melhor das hipóteses ela vai ficar angustiadíssima por estar a fazer força na mesma. Na pior das hipóteses arriscam-se a ser agredidos pela parturiente em fúria. E com toda razão! Não é propriamente possível controlar a vontade de fazer força uma vez chegada a hora.
5. Lavar as mãos.
6. Calçar umas luvas. De preferência cirúrgicas, mas as de lavar a loiça também servem. Em último caso podem dar uma corridinha rápida até às bombas para ir buscar aquelas luvas de plástico para as senhoras não sujarem as mãos quando estão a abastecer. Servem perfeitamente.
7. "Faça força, faça força que eu já venho, vou só ali buscar umas luvas! Mantenha a calma. Respire!"
8. Não se preocupe por as luvas não serem esterilizadas. Como dizia o meu mestre de Neonatologia: "O bebé também não vem de nenhum sítio limpo". De qualquer modo os pediatras já o vão cobrir de antibióticos porque nasceu numa casa de banho! Em qualquer circunstância não faça o parto sem luvas.
9. Peça ajuda à outra senhora que também está ali a servir-se da casa de banho e que até agora esteve a tentar passar de fininho - sim, eu sei do que falo. Está sempre outra senhora a servir-se da casa de banho ao mesmo tempo que nós e que tenta sempre passar de fininho quando estamos em apuros. Diga-lhe que vá buscar toalhas aquecidas e um fio limpo.
10. "Faça força, faça força, que está quase!" (Está de certeza quase, não é preciso ser-se profissional para saber que o miúdo está aí a rebentar!)
11. A outra senhora que não faça aquela cara. Que não diga que não sabe onde raio é que vai arranjar toalhas aquecidas e um fio limpo. Ela que vá ao restaurante da área de serviço ali ao lado e meta as toalhas no microondas, ou que as meta onde quiser, mas que traga o raio das toalhas quentes. E um fio limpo. Aqui deste lado temos mais que fazer!
12. Com um pouco de sorte o INEM chega nessa altura.
13. Com ligeiramente menos sorte (reparem, estamos no ponto 13...) vão mesmo ter de arregaçar as mangas e receber o bebé...
14. Incentivar a senhora e dizer "Faça força que está quase, quase! Já se vêem os cabelinhos." sempre que ela fizer força. Desta vez, por acaso, está mesmo quase!
15. Receber o bebé.
16. Não entrem em pânico se o bebé não chorar logo, logo. Se a senhora conseguiu fazer o parto sozinha é porque o bebé nasceu bem. E vai chorar não tarda.
17. Secar e limpar o bebé com as toalhas aquecidas, laquear o cordão umbilical com o tal fio (limpo!) e devolver o bebé ao colo da mãe. A melhor maneira de manter o bebé quente é colocá-lo em contacto pele-com-pele sobre o peito da mãe. O bebé pode aproveitar para mamar. Assim como assim, ele não tem nada mais urgente para fazer nos próximos meses...
18. Dar os parabéns à mãe porque o bebé é muito lindo e se parece muito com o pai. Toda a gente sabe que é muito importante nestes momentos dizer que o bebé se parece muito com o pai e nunca, sob qualquer circunstância, fazer referência ao padeiro. Assim como assim não conhecemos nenhum deles.
19. Telefonar ao INEM a desancá-los por ainda não terem chegado. Eles que ao menos venham a tempo da expulsão da placenta, irra! Ou será que têm de fazer tudo nesta casa?
20. Se a senhora começar com dores outra vez, que remédio senão arregaçar as mangas de novo e dizer à senhora para fazer "só mais uma forcinha, vá, que a placenta já lá vem e depois fica logo despachada".
Como vêem é muito fácil, podem ir a qualquer casa de banho onde literalmente vos apeteça. De nada. Sempre às ordens.
Pronto. Era só isto por agora. A emissão segue dentro de momentos...
A verdade é que quando alguém confessa fragilidades, feridas e angústias lá me apresso eu a ir fazer um penso rápido, a tentar mitigar dores e desfazer mitos... Desta feita, uma jornalista que tenho em grande conta confessou publicamente a sua inusitada angústia em ir a casas de banho de bombas de gasolina por receio de que lá esteja alguém a dar à luz (alguém viu Os Mutantes, de Teresa Vilaverde?). Por isso, aqui venho eu, caros amigos, dizer que não há que ter medo. Se a circunstância acontecer (e acontece aos melhores, eu que o diga), o importante é estar preparado, arregaçar as mangas e fazer-se à vida, que ela aí vem disparada!
Não custa nada, acreditem, mas de qualquer modo aqui vão umas dicas. Como fazer um parto numa bomba de gasolina em 20 passos:
1. Repetir como um refrão: "Faça força, faça força!" [Um segredo: por acaso não é preciso. As mães têm sempre uma vontade incrível de fazer força quando chega o momento da verdade, mas é como se fosse uma banda sonora que compõe o ambiente... e sempre dá um ar de maternidade.] Um outro refrão que também tem muita saída nas maternidades é o: "Respire!" É muito útil. Sobretudo se a parturiente sofrer da Maldição de Ondine. Ou então se for loira. De outro modo é improvável que se esqueça de que tem de respirar. Mas é bom para variar um bocadinho e dá um ar mais profissional à coisa.
2. Chamar o INEM. Mantenham a calma, eles demoram a atender mas atendem sempre. Mais tarde ou mais cedo lá atendem! Vá, respirem fundo também.
3. Continuem, então! Mas porque é que pararam? Repitam comigo: "Faça força, faça força!"
4. Não ligar às indicações dos senhores do INEM que lhes dizem que devem incentivar a senhora a não fazer força. Na melhor das hipóteses ela vai ficar angustiadíssima por estar a fazer força na mesma. Na pior das hipóteses arriscam-se a ser agredidos pela parturiente em fúria. E com toda razão! Não é propriamente possível controlar a vontade de fazer força uma vez chegada a hora.
5. Lavar as mãos.
6. Calçar umas luvas. De preferência cirúrgicas, mas as de lavar a loiça também servem. Em último caso podem dar uma corridinha rápida até às bombas para ir buscar aquelas luvas de plástico para as senhoras não sujarem as mãos quando estão a abastecer. Servem perfeitamente.
7. "Faça força, faça força que eu já venho, vou só ali buscar umas luvas! Mantenha a calma. Respire!"
8. Não se preocupe por as luvas não serem esterilizadas. Como dizia o meu mestre de Neonatologia: "O bebé também não vem de nenhum sítio limpo". De qualquer modo os pediatras já o vão cobrir de antibióticos porque nasceu numa casa de banho! Em qualquer circunstância não faça o parto sem luvas.
9. Peça ajuda à outra senhora que também está ali a servir-se da casa de banho e que até agora esteve a tentar passar de fininho - sim, eu sei do que falo. Está sempre outra senhora a servir-se da casa de banho ao mesmo tempo que nós e que tenta sempre passar de fininho quando estamos em apuros. Diga-lhe que vá buscar toalhas aquecidas e um fio limpo.
10. "Faça força, faça força, que está quase!" (Está de certeza quase, não é preciso ser-se profissional para saber que o miúdo está aí a rebentar!)
11. A outra senhora que não faça aquela cara. Que não diga que não sabe onde raio é que vai arranjar toalhas aquecidas e um fio limpo. Ela que vá ao restaurante da área de serviço ali ao lado e meta as toalhas no microondas, ou que as meta onde quiser, mas que traga o raio das toalhas quentes. E um fio limpo. Aqui deste lado temos mais que fazer!
12. Com um pouco de sorte o INEM chega nessa altura.
13. Com ligeiramente menos sorte (reparem, estamos no ponto 13...) vão mesmo ter de arregaçar as mangas e receber o bebé...
14. Incentivar a senhora e dizer "Faça força que está quase, quase! Já se vêem os cabelinhos." sempre que ela fizer força. Desta vez, por acaso, está mesmo quase!
15. Receber o bebé.
16. Não entrem em pânico se o bebé não chorar logo, logo. Se a senhora conseguiu fazer o parto sozinha é porque o bebé nasceu bem. E vai chorar não tarda.
17. Secar e limpar o bebé com as toalhas aquecidas, laquear o cordão umbilical com o tal fio (limpo!) e devolver o bebé ao colo da mãe. A melhor maneira de manter o bebé quente é colocá-lo em contacto pele-com-pele sobre o peito da mãe. O bebé pode aproveitar para mamar. Assim como assim, ele não tem nada mais urgente para fazer nos próximos meses...
18. Dar os parabéns à mãe porque o bebé é muito lindo e se parece muito com o pai. Toda a gente sabe que é muito importante nestes momentos dizer que o bebé se parece muito com o pai e nunca, sob qualquer circunstância, fazer referência ao padeiro. Assim como assim não conhecemos nenhum deles.
19. Telefonar ao INEM a desancá-los por ainda não terem chegado. Eles que ao menos venham a tempo da expulsão da placenta, irra! Ou será que têm de fazer tudo nesta casa?
20. Se a senhora começar com dores outra vez, que remédio senão arregaçar as mangas de novo e dizer à senhora para fazer "só mais uma forcinha, vá, que a placenta já lá vem e depois fica logo despachada".
Como vêem é muito fácil, podem ir a qualquer casa de banho onde literalmente vos apeteça. De nada. Sempre às ordens.
Pronto. Era só isto por agora. A emissão segue dentro de momentos...
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
[alhos e blogalhos] pode alguém falar com uma flor?
Meus queridos amigos, até hoje e por uma questão de coerência este blog sempre se manteve mato. Mato mesmo. Obstinadamente incontactável. Se lá no mato que eu amo não havia rede nem mail, aqui também não houvera de haver, dizia eu. Ou bem... minto. Obviamente minto. Com quantos dentes tenho. Claro que não foi por uma questão de coerência. Foi por comodismo. E também porque ia sempre dizendo de mim para mim que não havia necessidade. Ninguém haveria de querer falar comigo. E desta feita fui sempre ignorando alegremente as reclamações que foram chegando sob diversas formas e meios, vindas de quem se dá ao trabalho de vir aqui ao fim da blogosfera para conhecer, ver, sentir ou matar saudades de Moçambique...
Mas eis que esta madrugada recebo uma reclamação daquele senhor-que-afinal-não-residia-na-África-do-Sul e que me fez uma surpresa aqui há tempos... Não foi bem uma reclamação, vá, mas ainda assim mencionava o facto de eu não ter um endereço electrónico. E a este senhor, que me proporcionou um momento bloguístico absolutamente hilariante, eu não podia dizer que não, podia? Só não revelo a identidade (mas posso dizer que afinal era mesmo um homem) porque não tenho a certeza se ele o aprovaria.
Pronto, tudo para dizer que foi por isto que criei um endereço electrónico que está ali mesmo no fundo, junto ao mapa dos sítios por onde vai crescendo, pior que erva daninha, o beijo-de-mulata.
mulatadobeijo@gmail.com é agora o mail para onde podem escrever se vos fizer sentido falar com uma flor selvagem...
Mas eis que esta madrugada recebo uma reclamação daquele senhor-que-afinal-não-residia-na-África-do-Sul e que me fez uma surpresa aqui há tempos... Não foi bem uma reclamação, vá, mas ainda assim mencionava o facto de eu não ter um endereço electrónico. E a este senhor, que me proporcionou um momento bloguístico absolutamente hilariante, eu não podia dizer que não, podia? Só não revelo a identidade (mas posso dizer que afinal era mesmo um homem) porque não tenho a certeza se ele o aprovaria.
Pronto, tudo para dizer que foi por isto que criei um endereço electrónico que está ali mesmo no fundo, junto ao mapa dos sítios por onde vai crescendo, pior que erva daninha, o beijo-de-mulata.
mulatadobeijo@gmail.com é agora o mail para onde podem escrever se vos fizer sentido falar com uma flor selvagem...
terça-feira, 2 de novembro de 2010
[alhos e blogalhos] consultório beijo-de-mulata
Os apaixonados por África e os que até acham piada às peripécias das crianças da minha consulta que me perdoem esta incursão em terrenos tão estranhos à temática principal deste blog, mas a verdade é que se me parte o coração de ver chegar aqui ao mato tanta gente angustiada com uma questão que, pelo menos para elas, é pertinente e sair daqui cabisbaixa, sem um sim, sem um sopas, sem uma pista de qualquer tipo... O que se passa é muito simples, meus amigos... o que se passa é que desde o dia em que resolvi postar esta história, que vem gente diariamente de todas as partes do mundo com a seguinte angústia, com mais ou menos variações:
Pronto. Era só isto. A emissão seguirá dentro de momentos.
- Vou sair com um cara, acho que ele vai me beijar. Uso prótese dentária.Enfim, custa-me, pronto... Eu sei que nunca me propus fazer serviço público neste blog, eu sei que quem vem aqui vem à sua própria responsabilidade e que nunca prometi nada a ninguém, mas mesmo assim custa-me, o que é que querem? Até porque eu sei a resposta. E a resposta é óbvia: Ninguém beija com os dentes, pessoal! Sosseguem. Peguem na placa, fixem-na com um produto para fixar placas às gengivas e deixem-se levar. Tranquilamente. Não se passa nada. Não sofram. Vai tudo correr bem. Mas, sobretudo, estejam preparadas para tudo. Com descontracção e bom-humor a peripécia mais embaraçosa se pode tornar numa piada privada e ajudar a criar laços. E, quem sabe, talvez até descubram primeiro que "o cara que acham que as vai beijar" também usa, ele próprio, prótese dentária...
Pronto. Era só isto. A emissão seguirá dentro de momentos.
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