Deixo-me ficar na cama ainda mais uns minutos depois do alarme do telemóvel tocar. Recordo-me desta noite... Ainda nem acredito que recebi um recém-nascido em Moçambique, à luz das velas, como nas mais antigas histórias que ouvia contar! (…)
Cumprimento a Amélia, a minha discreta companheira de quarto, uma osga simpática e madrugadora, que a esta hora já se encontra colada aos vidros da janela ao sol (desconfio que terá passado ali a noite...), com as patinhas esticadas numa enorme preguiça, à espera do pequeno-almoço esvoaçante (este sim, literalmente um “mata-bicho”). Instalou-se no meu quarto há três dias, trazida pelo cozinheiro ante o meu olhar de ponto de interrogação. Eu tinha-lhe pedido inseticida pois não tinha rede mosquiteira no quarto, ao que ele respondera:
– Não sei o que é set'cida, doutora...
– Remédio para os mosquitos –
reformulei.
– Ah, não tem problema!
E horas depois regressou com a Amélia...
A verdade é que esta minha inquilina é uma exímia caçadora de mosquitas,
mosquitos e moscas e ainda não precisei de usar inseticida.in A Missão - Diário de uma Médica em Moçambique
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