sexta-feira, 27 de setembro de 2013

[as melhores do serviço de urgência] by medicina geral e familiar

Tenho um amigo cujas pérolas da consulta e urgência me fazem rir quase todos os dias. É médico de família e, para alegria de todos, com os adultos as consultas por vezes são autênticas anedotas:

- O meu marido teve um acidente de mota e foi operado muitas vezes. Da última vez tiveram de lhe pôr uma próstata no joelho.

- Fiz uma liquidação das trompas mas, agora que me casei outra vez, queria-as de volta.

E a última que ainda me está a fazer rir para dentro:

[Ler com sotaque brasileiro]
- Doutor, da última vez o senhor me passou aquele remédio, Transolusina*, mas aquilo não funciona não.
- Então? Continua com dificuldade em urinar?
- Em urinar não tenho dificuldade nenhuma, mas a Transolusina não era para me fazer transar mais?

* Tansolusina - Medicamento para a hiperplasia benigna da próstata.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

[uma escola no mato] bem-vindo à república centro-africana...

 
A minha amiga Susana na sua batalha diária numa escola sem bancos, sem livros e sem paredes... Não quero desfazer nos dramas de quem ainda não tem professores colocados, de quem trabalha longe de casa, de quem tem de se adaptar a professores novos todos os anos. Os dramas são de quem os vive.
(República Centro-Africana)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

[as melhores do serviço de urgência] lamento, mas esta é mesmo só para médicos...

No serviço de urgência:
- Doutor, ando com uma dor aqui na anca, é melhor mandar-me fazer um raio x das carnes moles.

(Cortesia de um colega meu de Medicina Geral e Familiar, daqueles que têm mesmo doentes a sério, dos que tomam Sexodil para dormir e Omeprozac de manhã por causa dos azedumes. Agora que leio melhor, acho que este último seria um medicamento vencedor, como é que ainda mais ninguém se lembrou disto?)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

[casar com um médico] vantagens, só vantagens!

 
O martelo de reflexos dá uma excelente antena de televisão!
Roubado ao meu amigo Alexandre, a concretização foi ideia da sua expedita empregada doméstica, que partilha da minha máxima de que a vida tem de ser simples.
 
Sim, pronto, meus amigos, eu concordo: não é razão para casar com um médico. Mas é mais uma razão! Há outras. A sério.

[outras palavras] a adoção e a biologia do amor...


Na revista Visão da semana passada foi publicado um artigo delicioso sobre os efeitos do amor no cérebro de crianças adotadas! Aqui vos deixo um pequeno excerto:

"O estudo das crianças adotadas tornou-se um dos maiores aliados dos investigadores que procuram respostas para problemas de desenvolvimento e perturbações afetivas. As más experiências emocionais, muitas vezes presentes nestes casos, deixam marcas — visíveis em imagens de ressonância magnética. O trauma altera as estruturas neurológicas do nosso cérebro, diz a psicóloga holandesa Anneke Vinke, que analisa casos há vários anos, trabalhando com uma equipa responsável pela publicação de centenas de estudos sobre adoção. Se o trauma se repetir, alerta, cérebro altera-se ainda mais .

Talvez mais surpreendente do que a marca física do trauma seja a mudança biológica determinada pelo amor — depois da adoção. As vantagens podem ser medidas em ressonâncias magnéticas, que mostram o desenvolvimento cerebral e as zonas ativadas antes e depois. A criança adotada cresce fisicamente. Até a cabeça fica maior. E a cognição também melhora 10 a 15%, explica Vinke, que esteve em Portugal para participar na Conferência Internacional de Adoção, tendo falado sobre as teorias da neurobiologia e o que elas significam em relação à criança adotada.

 Embora entenda que a adoção é vantajosa em qualquer idade, a psicóloga holandesa defende a necessidade de agilizar os processos para que se reduza ao máximo o vazio afetivo. Numa família equilibrada, ao choro do bebé responde-se com atenção. O organismo estabiliza, baixam os níveis de cortisol. Se, pelo contrário, à agitação corresponde um vazio ou uma reação agressiva, o bebé não normaliza os níveis hormonais. A falta de afeto leva a duas reações para regularas emoções: ou se fecham, num comportamento de tipo autista, ou são hiperativos, reagindo a tudo o que acontece à volta. Em ambos os casos, há um excesso de hormonas de stress no organismo. Acontece a todos os humanos mas, nas crianças negligenciadas, esse nível hormonal está sempre elevado. E deixa marcas."

É por isso que eu tenho esperança! Eu vi isto acontecer comigo e com o baby-de-mulata!

domingo, 22 de setembro de 2013

[as melhores do serviço de urgência] preceitos de bem-nascer!


Hoje aprendi mais um preceito indispensável para se nascer bem, assunto que como sabeis me é particularmente caro, pois se até já vos tentei ensinar a ajudar a dar à luz numa bomba de gasolina em 20 passos extremamente didáticos (próximos episódios com serviço público: como convencer um homem a arrumar a casa - este é em 40 passos, mas chegamos lá, nem que seja em 50 mais um - e como fazer um lactente arrotar sem acordar - este em 20 passos embora, confesse, alguns passos possam ser mais didáticos que outros).

Ora pois, mas eu ia contar-vos que hoje aprendi mais qualquer coisa sobre isto de bem-nascer. E nisto de bem-nascer, meus amigos, é sempre bom estar informado. Penso que já toda a gente ouviu aquela ideia meio absurda de que é preciso ter muito cuidado quando o bebé tem o cordão à volta do pescoço, mas até percebo a fantasia arrepiante que uma mãe pode ter (sobretudo naquela altura em que praticamente não tem sangue no cérebro), que é a de que o seu bebé se arrisca à forca no próprio cordão umbilical no momento de nascer.

Mas hoje no Serviço de Urgência tive uma revelação extraordinária: no boletim de saúde de um recém-nascido constava que ele tinha nascido por cesariana eletiva. Podia ser essa a chave para o problema do menino. E vai daí perguntei à mãe:
- O seu bebé nasceu de cesariana porquê?
- Olhe, doutora, porque eu tinha muito líquido amniótico e explicaram-me que o bebé se podia afogar quando nascesse.

Ah, pois, é verdade, que cabeça a minha, os bebés de hoje não sabem nadar como antigamente. E depois admiram-se que as taxas de cesariana continuem a crescer.

domingo, 15 de setembro de 2013

[manual de conversação para o baby-de-mulata] primeiro módulo: check!


É com um orgulho imenso que venho aqui anunciar que o meu baby-de-mulata, o menino mais bem-disposto e mais doce do mundo, já é um autêntico master na área da comunicação telefónica e em meter conversa com os vizinhos no elevador!
Desde que lhe dei umas pequenas luzes sobre o assunto, eis que o baby, que antes era só silêncios e sorrisos envergonhados, agora sempre que me vê a falar ao telefone arranca-me o dito das mãos e pergunta a quem estiver a falar do outro lado (à madrinha, por exemplo): "Olá, madrinha, como estás? Como está Mr. B., está bom? O que estão a fazer?" ou, no caso de o interlocutor não ter filhos, por sua própria iniciativa pergunta pelo animal de estimação (à avó, por exemplo, pergunta pelo gato): "Olá, avó, o Bingo está bom? Já papou?"
Para dois anos e três meses está mesmo bem lançado!, diz sua mãezinha, a quem obviamente a desidratação causada por tanta baba já começa a afetar o cérebro... 
E agora que consegui que o baby despertasse para o maravilhoso mundo da conversa de chacha, já estou a preparar o módulo II: Introdução aos Comentários Meteorológicos: Noções Básicas sobre Pluviosidade e Bom Tempo.
Mais uns tempos e chegamos ao "Olá, prima, há quanto tempo não a via... Está na mesma! Parece que o tempo não passou por si!" e terá a adolescência assegurada!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

[uma história de amor] o dia em que o baby-de-mulata entrou no blogue!

Dias depois (sim até aí tudo me parecia um sonho e demasiado avassalador) falei-vos sobre ele. Aqui. E este blogue limpou-se das saudades, encheu-se de esperanças e nunca mais foi o mesmo...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

[foi há um ano!] o melhor milagre da minha vida!

Há precisamente um ano, depois de um baby-shower com as melhores amigas do mundo, arrumei o quarto do baby-de-mulata, acabei de montar o álbum de fotografias que lhe haveria de mostrar quando chegasse a casa (um álbum que ilustrava a transição da instituição para a nova casa e para a família) e fui deitar-me com a certeza de que um milagre estava para acontecer! No dia seguinte instalei a cadeirinha no carro fui buscá-lo! Obrigada, meu bem, por teres "fugido" comigo...

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

[vozes brancas*] anjo da guarda...

A propósito do post de ontem, e  falando sobre formas peculiares de rezar, na oração do Anjo da Guarda o baby-de-mulata também faz umas variações muito próprias.

É que "alma", enquanto elo entre o espírito e a matéria, fonte última responsável pela comunhão humana com Deus, é um conceito que penso que o baby ainda tem um pouco mal sedimentado. Por isso, ele substituiu-o por um conceito ligeiramente mais percetível e concreto, e pede todas as noites ao Anjo da Guarda: "Guardai a minha ÁGUA de noite e de dia." E a mãe do baby (esta que vos fala), senhora de uma consciência ecológica considerável e fervorosa defensora dos objetivos do milénio para o desenvolvimento, aprova! E de forma completamente acrítica, baba-se!

* Timbre da voz de uma criança antes da puberdade.

domingo, 8 de setembro de 2013

[vozes brancas*] oedipus rex

Sabes que o Édipo se tornou rei cá em casa quando...

... o baby-de-mulata tenta, com um sorriso meio meloso meio gozão, rezar antes de dormir: "Em nome da mãe, do filho e do espi'to xanto" e depois acrescenta com o ar mais delico-doce deste mundo: "O filho xou eu, mamã!"


* Timbre da voz de uma criança antes da puberdade.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

[um vice-treco num sub-troço] quem é este homem?


 
"Você sabe com quem está falando?"
Não sei quem é este homem. Mas gosto dele! A definição da imagem é péssima, o áudio é mais do que ranhoso, mas o humor é inteligente e refinado. Para quem tiver 10 minutos.

[it's not about the nail] it never is!


 
"Não, não é essa a questão! Não é esse o problema. É muito mais profundo e avassalador do que isso!" Por vezes a carga emocional de um problema é tão pesada que uma qualquer solução não nos parece sequer suficiente para aplacar o sofrimento. Outras vezes estamos apenas a ser "gajas" e a denegar o óbvio. Eu bem digo que ter dois cromossoma X é demais para muitas mulheres. 
Este vídeo é quase tão bom como este outro aqui.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

[à beira do rio molócuè] anoitecer...

 
Uma mamã com o filho às costas tenta recuperar o seu precioso bidão de água que se lhe escapou no rio... Apesar de já existirem fontanários de água potável no Gilé, essa água é cara e as pessoas não se conseguem dar ao luxo de a utilizar para outros fins que não para beber. A água para cozinhar (que vai ser fervida), para lavar a roupa e tomar banho vem toda do rio... um rio onde eu não entraria sequer para molhar os pés porque, para além do perigo dos crocodilos, está infestado de doenças. A vida nem sempre é simples na Zambézia...
(Gilé, Zambézia)

[nomes que dizem tudo] coincidências felizes!

 
Só me faz lembrar o meu menino da consulta, o Manuel Arranhado*, que tinha uma dermatite atópica e lesões de coceira por todo o lado, ou aquele senhor de quem já vos falei, o Sr. Francisco Pão Costa, que tinha um tumor de Pancoast**. Mas isto é mesmo humor refinado.*** Ninguém pode dizer que este não é um verdadeiro homem desta terra!

* Nome próprio obviamente fictício.
** Felizmente ficou curado, de outro modo não estaria aqui a brincar com a doença.
*** Sim, eu sei, sou provavelmente a centésima pessoa da blogosfera a postar sobre isto, mas deixem-me dizer-vos que dei a minha primeira gargalhada em vários dias! (Sim, estou enclausurada a fazer um relatório gigantesco. Não, não me perguntem mais nada. Sim, já tive dias melhores.)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

[welcome to my hospital] deliciosa farda!


 
A enfermeira Catarina é o máximo! Bem disposta, sempre sorridente, cool para os adolescentes e com uma paciência de Job para os pré-adolescentes, motiva, brinca, faz palhaçadas. E ostenta com orgulho as obras de arte dos seus doentes crónicos inscritas na bata! Deliciosa! Não liguem ao que ela tem na mão direita. Com um bocadinho de insistência, os meninos convencem-na a deixar...
(Hospital Dona Estefânia, Lisboa)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

[outras palavras] para quem está a pensar em adotar...

Hoje vi uma reportagem sobre o deputado norte-americano que adotou recentemente duas gémeas de dois anos que tinham sido separadas aos três meses. Já era pai de três filhos quando, no último Natal, ele e a mulher se apaixonaram por estas pequenas primas afastadas e decidiram passar a ser sete lá em casa, e as gémeas repararam o vínculo que tinham perdido... A reportagem termina com uma frase desse deputado que me apetece sempre dizer também quando comentam que saiu a sorte grande ao baby-de-mulata: "As pessoas dizem muitas vezes que eu vou ser uma bênção para elas, mas tenho de responder muito diretamente, para alguém que esteja a pensar em adotar, tenham a certeza de que serão muito mais abençoados pelos seus filhos do que alguma vez conseguirão ser uma bênção para eles!"

domingo, 1 de setembro de 2013

[as melhores do srviço de urgência] i have a dream!

Esta tarde, no serviço de urgência, um colega meu, pediatra de mão-cheia e de sorriso farto perguntava à mãe de uma criança de 8 anos que vinha com febre e dores de cabeça:

- A sua filha é saudável?
- Mais ou menos, ela é muito utópica.
- Ah, mas isso não é doença, faz parte dos 8 anos, até é bom para ela ser assim!
- Bom para ela? Ter a pele cheia de manchas e não dormir com as comichões?!
- Como?
- Estava a dizer-lhe que ela tem pele utópica, o que é que o doutor percebeu?
- Ah, sim, sim, percebi outra coisa. E então o que a traz cá?

sábado, 31 de agosto de 2013

[welcome to mozambique] inseticida...

A pedido de ainda mais famílias, aqui fica mais um pequeno excerto do meu livro:

Deixo-me ficar na cama ainda mais uns minutos depois do alarme do telemóvel tocar. Recordo-me desta noite... Ainda nem acredito que recebi um recém-nascido em Moçambique, à luz das velas, como nas mais antigas histórias que ouvia contar! (…)
Cumprimento a Amélia, a minha discreta companheira de quarto, uma osga simpática e madrugadora, que a esta hora já se encontra colada aos vidros da janela ao sol (desconfio que terá passado ali a noite...), com as patinhas esticadas numa enorme preguiça, à espera do pequeno-almoço esvoaçante (este sim, literalmente um “mata-bicho”). Instalou-se no meu quarto há três dias, trazida pelo cozinheiro ante o meu olhar de ponto de interrogação. Eu tinha-lhe pedido inseticida pois não tinha rede mosquiteira no quarto, ao que ele respondera:

– Não sei o que é set'cida, doutora...
– Remédio para os mosquitos – reformulei.

– Ah, não tem problema!
E horas depois regressou com a Amélia... A verdade é que esta minha inquilina é uma exímia caçadora de mosquitas, mosquitos e moscas e ainda não precisei de usar inseticida.

in A Missão - Diário de uma Médica em Moçambique

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

[vozes brancas] el hospital del pajarito


 
Delicioso! Absolutamente delicioso e encantador! Fez-me lembrar o deslumbramento dos primeiros meninos que me trouxeram os seus bonecos para eu os tratar, a cara de espanto quando o Rx revelava um diagnóstico certeiro e o divertimento deles a ajudar-me a pôr um penso ou uma ligadura no Hospital da Bonecada. Mas isto, senhores, isto é em bom!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

[veja como fala!] parole sono importanti!


 
Magnífica cena do filme Palombella Rossa de Nanni Moretti.
 
Não chegaria ao ponto de Nanni Moretti, de agredir alguém por usar uma palavra fora de contexto, mas sempre fui muito sensível às palavras. Quando o tema é delicado, encontrar palavras que não magoem é difícil, e pode ser um desafio quando estamos perante pessoas hipersensíveis ou, de alguma forma fragilizadas. Aprendi cedo que não se deve usar palavras conotadas negativamente, mesmo que sejam "termos técnicos". É certo que se pode dizer parir quando falamos de maternidade, por exemplo, mas para quê se existem alternativas mais positivas, mais gentis, mais delicadas para falarmos com uma jovem mãe na sala de partos?
 
Mas este ano fui apanhada de surpresa por um Pedopsiquiatra que prezo e admiro imenso. Eu pedia-lhe ajuda para esclarecer o comportamento de uma criança que, por uma série de razões, me parecia autista. Ele perguntou-me então que mais lhe poderia eu dizer sobre a criança, ao que eu respondi que era uma criança meiga, sossegada, que gostava de brincar sozinha, com uma relação privilegiada com a irmã mais velha, que tinha uma atitude maravilhosamente protetora e maternal para com ele. Foi então que este meu colega me surpreendeu com a pergunta: "Acha que esses comportamentos chegam para o descrever?" Acho que nem percebi onde ele queria chegar. Respondi que não, que certamente que não, longe disso, que também era muito importante dizer que o menino tinha muitos aspetos a seu favor, que haveriam de jogar como fatores de bom prognóstico e de resiliência, que o tinha achado encantador e a mãe muito atenta e adequada aos seus problemas e dificuldades, e que ambos formavam uma díada fortíssima. "Então porque foi que disse que ele era autista?", foi a resposta. 
 
Senti-me a jornalista desta cena da piscina no Palombella Rossa! Nesse momento senti vergonha. "Logo eu, que lutei tanto contra o estigma da lepra e do VIH em Moçambique, que nunca deixei que ninguém chamasse leprosos aos meus doentes com lepra!", pensava enquanto ele continuava: "Nós aqui não gostamos de dizer que uma criança é autista, mas que tem um autismo. Parece a mesma coisa mas o impacto é completamente diferente. É como se estivéssemos a dizer que o autismo não é tudo o que a criança é, que não a define como pessoa, que essa criança é muito mais para além do autismo e do seu comportamento." Claro. Claro que sim! Fazia todo o sentido. Acatei este conselho e fi-lo meu.
 
É verdade que as palavras não descrevem apenas factos, elas evocam sentimentos e emoções, têm cargas positivas ou negativas. Ou neutras. Podemos fazer a diferença quando falamos de forma positiva ou neutra, porque assim aligeiramos a carga emocional e podemos desfazer alguns mitos. Têm de concordar comigo que ao dizer que uma criança "é doente" nos estamos a resignar a um facto consumado, enquanto que se dissermos que o menino "tem uma doença", inevitavelmente alguém se chegará à frente a perguntar: "Então e agora, como é o tratamento?" É uma linguagem que permite avançar!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

[improbabilidades] nomes que dizem tudo

 
Mais um impagável táxi/ chapa em Maputo!
Foto da querida Daniela. Obrigada!

[outras palavras] acentuação

é tão difícil dizer amo-te
murmurava ontem um amigo
a propósito de coisa nenhuma e
muito menos de amor

estávamos entre papéis e tintas
com a casa onde nasceu Pessoa mesmo em frente e
talvez por isso
a questão das palavras o
atormentasse daquela maneira

passou os dedos pelos desenhos de um livro e
ficou a olhar para o largo que
se avistava da janela
quem sabe se
procurando os desajeitados beijos de ofélia
nas lajes ressequidas pelo verão

é tão difícil dizer amo-te
repetiu e ficou outra vez em silêncio
atordoado de sol e de heterónimos

então eu disse que isso era apenas
pelo simples facto de a palavra ser
acentuada na primeira sílaba o que
não dava jeito nenhum a pronunciar

ele riu e ficámos então a discutir se
a palavra seria grave ou esdrúxula até que
fechado o livro e arrumados os papéis
ele declarou
adoro-te é bem melhor

e saímos para a rua felizes
por termos encontrado
tão facilmente a
solução do problema
Alice Vieira (lido no seu mural do facebook)

Nota-se muito que estou apaixonada?

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

[lixo no carro] devemos contrariar o cliché?


 
Ontem a Rádio Comercial recordou este episódio da Mixórdia de Temáticas. Perante a última parte (04:50) e, o ponto de vista de Pipoco de que vos falei há dias, ocorreu-me então o seguinte dilema: será que devo continuar a contrariar o cliché e manter o meu automóvel impecavelmente limpo e arrumado, com a ajuda do saco de lixo da minha amiga Mimi e, tornar-me, portanto, mais atraente como mulher? Ou recusar-me a ser submissa, recusar-me a fazer algo só para me tornar mais desejável, negando assim toda a minha feminilidade e toda a minha essência (isto é, negando a tendência inata que tenho de desarrumar o carro)? Será que os homens que se sentem atraídos por mulheres que têm o carro limpo não estarão a sentir-se atraídos pelo seu lado masculino? Será esse o tipo de homem que as mulheres querem? Que me dizem?

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

[música para bebés] aprender desde o berço!


 
É consensual entre a comunidade pediátrica, que as crianças que aprendem música são mais concentradas, têm melhor memória e, atrevo-me a dizê-lo, são mais felizes. Em parte porque têm um modo extremamente eficaz, socialmente aceitável e belo de canalizar energias.
 
O que não é tão evidente para nós, mas ainda assim claro para investigadores e professores é que, tal como a linguagem, se as bases da música forem aprendidas desde os primeiros meses (antes dos 2 anos), a aprendizagem é muito mais sólida e perfeita. Por isso, pais e mães, cantem! Digam lengalengas, rimem, batam em tambores, agitem maracas, dancem com o corpo todo! A música é importante! Desde o berço.