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segunda-feira, 30 de abril de 2012

[instantes] porque a vida continua, mesmo depois de a ponte ter caído!




O dia em que a ponte do Gilé ruiu... E em que os habitantes da Zambézia nos deram mais uma prova de que, por maior que a tragédia seja, é sempre possível "manter a ponte dentro do peito" e unir os dois lados do rio!
(Gilé, Zambézia)

quinta-feira, 15 de março de 2012

[instantes] porque a vida é todos os dias!



Lavando a roupa no rio Molócuè, à sombra do entardecer, quando o calor aperta menos e os crocodilos já foram procurar outros locais mais quentes [esperemos]...
(Gilé, Zambézia)

segunda-feira, 12 de março de 2012

[welcome to mozambique] o amor no teu olhar...


Um olhar enamorado...
(Zambézia, Moçambique)

terça-feira, 6 de março de 2012

[a riqueza de moçambique] a força que um sorriso pode ter!


Estes são os meus filhos... minhas sortes!
(Zambézia, Moçambique)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

[welcome to mozambique] carnaval de quelimane







Instantes deliciosos do Carnaval de Quelimane, Zambézia
Por António Zafanias, fotógrafo do Diário da Zambézia. Fotos no blogue do Professor.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

[instantes] a força que um sorriso pode ter!


- Bom dia, esse é o meu filho, primeira sorte!
(Gilé, Zambézia)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

[instantes] porque a vida é todos os dias!


Vamos para casa!
(Gilé, Zambézia)


Obrigada pelo dia de hoje, meus amigos! E por o estarem a tornar tão especial!

[ser estrangeiro é um modo de vida] inculturação


Carnaval de Quelimane, por António Zafanias, fotojornalista.
(Quelimane, Zambézia)


"Este Cronista Não Sabe que Não Sabe" Crónica de Manuel Cardoso, sj. Daqui.

"Em Moçambique, quando se recebe uma visita em casa é falta de educação perguntar se ela quer comer alguma coisa, se ela quer tomar algo. Perguntar a uma visita se quer comida é receber a visita como se fora um mendigo esfomeado. Receber bem é acolher a pessoa, sentá-la e depois ir cozinhar, colher ou comprar comida para lha colocar à frente. Mas como é que eu ia adivinhar que receber alguém perguntando, Queres almoçar connosco, é uma ofensa?

Esta é uma crónica sobre viver em África, sendo Europeu. Sobre ser estrangeiro. Sobre viver em Moçambique sem ser turista. (...) Segundo a ordem lógica desta crónica, o cronista devia agora apresentar as técnicas, os métodos: o modo e ordem para entrar em terra alheia. Mas o cronista não conhece esses meios. Pior, o cronista não sabe o que não sabe! (...)
Então, como descobrir o que não sei? Procurar moçambicanos, procurar estar com Moçambicanos, procurar estar com moçambicanos nos seus ambientes próprios, e procurar estar atento aos moçambicanos. Este é o único caminho que descobri até agora. Podem contradizer-me: Manel, compra o guia do American Express e lê lá o que precisas de saber; nos guias de viagem está tudo escrito! Contudo, será que no guia diz como se cumprimenta, respeitosamente, uma senhora de idade? Diz qual a ordem pela qual as pessoas se servem à mesa? Ou como comem? Diz qual o gesto apropriado para saudar alguém na rua, e qual o apropriado para o fazer na Igreja? Diz como pedir desculpa?
Eu não sei o que sendo óbvio para um moçambicano, não é óbvio para mim, português. E o meu problema é ninguém perder tempo a escrever o óbvio, justamente porque é óbvio! E, ao mudar de terra, o que parece óbvio deixa de o ser. Aprender novos óbvios é a missão do estrangeiro que não quer ser turista, do estrangeiro que quer entrar em Moçambique, e isso é que torna ser estrangeiro tão apaixonante!"

Manuel Cardoso, sj

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

[gémeos] não foi fácil, mas sobrevivemos todos!


Calma, o peito chega para os dois!
(Gilé, Zambézia)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

[histórias da zambézia] a vida para lá da morte...


Quelimane...
Foto daqui.

Com a devida vénia à Graça Pereira, autora do blogue Zambeziana, que não me deixa sentir sozinha neste mato e nestas coisas da saudade das terras mais africanas de Moçambique, aqui vos deixo uma história fantástica, magistralmente contada por ela.

Segundo o pai da Graça, esta história passou-se em Quelimane, presumo que há mais de cinquenta anos. E se non è vero, è ben trovato:

"O estrondo ecoou pela rua toda e pelas circundantes. O homem entrou a uma velocidade louca pelo muro da quinta pensando que seria a continuação da estrada.

Quem passava a pé, à procura de algum fresco depois de um dia demasiado quente e abafado, estacou e disse:
- Nem a alma se lhe aproveita! Está morto!
- Está de certeza – afirmou outro.

Dois ou três carros pararam em fila indiana e foram espreitar. O homem todo ensanguentado estava com o rosto deitado sobre o volante, com os olhos semicerrados.
- Não há nada a fazer… - disseram.
- Pois não, mas temos de chamar a polícia – disse outro.

Numa cidade ronceira, extremamente calma onde quase nada acontecia, a polícia tardou em chegar. A autoridade tirou um cigarro do maço, acendeu-o e deitou uma baforada.
Chegou junto da janela do carro sinistrado, olhou atentamente e afirmou:
- Não há dúvida, ele morreu.
Chamou dois homens negros que passavam e pediu-lhes:
- Tirem o morto daqui, dispam-no e levem-no para a morgue que eu vou do outro lado, ao hospital, chamar o médico e pedir que abram a casa mortuária.


Os negros obedeceram. Quando chegaram à morgue a porta já estava aberta. Colocaram o morto já sem roupa em cima da eça mais fria que a própria morte. O médico chegou, pôs dois dedos nas carótidas e confirmou:
- Está morto, vou passar-lhe o óbito.

Entretanto chamou um servente negro e recomendou-lhe:
- Você fica aqui a tomar conta dele.

O servente arregalou os olhos e perguntou:
- Está morto?
- Claro – respondeu o médico.

O servente abriu mais as portas da morgue a ver se entrava algum ar fresco naquela noite maluca. Um lampião da rua com luz muito frouxa deitava um raiozinho para dentro do cubículo e assim o servente podia vigiar melhor o morto.

O calor aumentava e produzia-lhe uma terrível sonolência. Esticou-se no banco de pedra e com um olho fechado e outro aberto como o camaleão, olhava o morto. Não resistiu e acabou por adormecer. A altas horas da madrugada acordou com uns gemidos. Sentou-se rápido no banco e esfregou os olhos. Os gemidos continuavam. Aproximou-se devagarinho da eça e pôs o ouvido no peito do morto. Este abriu os olhos e perguntou:
- Aonde estou?
- Na morgue, patrão.

De um salto sentou-se e reparou que estava nu. Deitou uma perna para fora da eça mas o servente empurrou enérgico:
- Deita patrão, tu está morto. O doutor vai ralhar comigo.
- Qual morto, qual carapuça, estou vivo! - e desata a correr pela rua mal iluminada.
O servente na sua peugada, gritava:
- Por favor, patrão, volta outra vez, tu está morto.

O homem chegou à porta da sua casa e tocou a campainha. A mulher ainda não se havia deitado, preocupada com a demora do marido. Abriu lesta a porta e viu o marido todo ensanguentado, nu e uma cara negra pendurada no seu ombro que gritava:

- Patrão morreu!
A mulher caiu redonda no chão."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

[instantes] porque a vida é todos os dias!


Uma doente e a sua família almoçando no pátio do hospital...
(Gilé, Zambézia)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

[instantes da zambézia] porque a vida é todos os dias!


Tem problema di ponte em Mulevala... A vida é dura. Em que pensará a mamã enquanto se equilibra na ponte, com um filho no colo e a trouxa na cabeça? Será que não tem medo?
(Mulevala, Zambézia)

sábado, 21 de janeiro de 2012

[sabes que és workaholic quando...]

Hoje perguntaram-me, para uma entrevista sobre a minha actividade de voluntariado em Moçambique, se cheguei a aprender a falar os dialectos das províncias onde trabalhei. Respondi que sim, o suficiente para me orientar minimamente no hospital. Felizmente tive sempre quem me ensinasse. É quase impossível trabalhar sem saber nada do dialecto local porque quase ninguém fala Português fora das grandes cidades.

Era uma entrevista para uma revista para jovens, portanto pediram-me que lhes dissesse quais tinham sido as primeiras palavras em cada um dos dialectos. Pensei um pouco... Pensei mais. Por fim lá me recordei:

- Em Changana, que é o dialecto de Maputo, foi Xikoxola*.
- Que quer dizer?
- "Tosse com expectoração."

[Desiludido] - Ah... E em Nampula, qual é o dialecto?
- Macua. E a primeira palavra foi: Mwikhusoleke!
- E o que quer dizer isso?
- "Faça força!"
- Faça força?
- Sim, no primeiro dia tive de ir para a maternidade porque houve muitas complicações de partos...

[Ainda mais desiludido] - Ah... e na Zambézia?
- Em Lomué foi uma frase inteira: Mwana ola olavula pama?
- Credo! E isso é o quê?
- "O seu filho fala bem?"
- Pronto, deixe lá estar... Como é que se diz "bom dia" em Lomué, por exemplo?

* Eu não sei escrever changana, isto é uma transcrição macarrónica.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

[momentos] um dia hei-de mergulhar na foz do zambeze


Um dia... desta água beberei*!
(Foz do rio Zambeze, Moçambique)

* Fervida e filtrada, obviamente, por quem me tomam? Ou então, se for acometida de loucura (já estive mais longe), mergulho nestas águas e tomo praziquantel e albendazol a seguir! Ou acham que é melhor tomar antes? Aceitam-se sugestões...

Adenda (em atenção ao nosso sócio correspondente nº1): Meus caros amigos, não tentem fazer isto em casa. Não se deve mergulhar num rio infestado de crocodilos, cobras, bilharziose e cólera, mesmo que a paisagem seja avassaladora, as águas mornas e transparentes e a companhia convidar a loucuras... Melhor assim, Mr. 1B?

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

[moçambique] been there, got the t-shirt



Moçambique no seu melhor!
Como diria Mr. umBhalane, o sócio correspondente nº 1 deste mato: este é um vídeo que se destina a todos os que já "beberam água do Zambeze" ou, pelo menos, a todos os que não dizem que dessa água não beberão...

sábado, 14 de janeiro de 2012

[comentários que valem um post] mr. umbhalane cantou por aqui

O Sr. umBhalane, o xirico mais melodioso da blogosfera, deixou-me um comentário delicioso no post aqui abaixo. E sim, não bebi água do rio Zambeze (ainda) porque nunca lá estive, mas um dia dessa água beberei! [Fervida e filtrada, claro!]
"Que bom. Não conhecendo o Sr. Pompisk, mas sendo ele motivo para escritos destes, só pode ser boa gente, gente Zambeziana, não desmerecendo os de Inhambane, e outras terras. Só que a Zambézia tem aquele gostinho especial, e efeitos demolidores. Entranha-se!
Quem a viu, e quem a vê, caramba! Já bebeu "água do Zambeze", de certeza. Ah, e essa doença - pode ficar com o seu canudo - que, digo-lhe já, é incurável. Que Nossa Senhora de Mulevala, e a alma comerciante do Sr. Pompisk se coliguem e, já agora, que os camponeses possam dar uma ajudinha. Bom espírito. E que também a "Macangueira" não esqueça de mandar remédios, só para ajudar!"
A "Macangueira" era eu... Obrigada, Mr. 1B!

[boas novas] o diário da zambézia


Nossa Senhora de Mulevala
(Mulevala, Zambézia)

Alvíssaras, meus amigos, já temos novas do Gilé, directas para Portugal! São 06:00 em Moçambique, menos duas horas em Portugal continental e parece que o Sr. Pompisk amanheceu melhor, graças aos medicamentos que seguiram daqui na semana passada, a Deus Nosso Senhor e a Santa Maria de Mulevala, a Santa geograficamente mais próxima do Gilé, que por uma questão de comodidade - e de brio regionalista! - resolvemos adoptar como padroeira desta cura.

Já vos falei de Nossa Senhora de Mulevala (a propósito desta história), mas, para quem não conhece, é assim uma espécie de Nossa Senhora de Fátima, mas que apareceu em Mulevala, a cerca de 200 km do Gilé, a um grupo de camponeses e não a três pastorinhos. Convenhamos que na Zambézia não há assim muita pecuária e portanto, para aparecer a pastorinhos, Nossa Senhora teria de ir para Cabo Delgado, ou para a Tanzânia e lá ficávamos nós sem padroeira. Em vez de um manto azul vinha vestida com uma túnica branca e envolta num manto verde, não tinha segredos [pelo menos, se os tinha, das duas uma, ou não os contou, ou ainda ninguém se descaiu] e, tanto quanto sei, ainda não há meninas na região chamadas Maria de Mulevala. Mas temos pena...

O Sr. Pompisk costuma dizer que não é crente mas, nas suas próprias palavras, à cautela vai fazendo muitas obras de caridade aqui e ali, porque assim sempre ajuda os vivos e pode ser que Deus, se existir, se lembre dele quando chegar o dia e a hora! Felizmente parece que o dia e a hora não são hoje... É uma alma de comerciante, sem apelo nem agravo! E genuína e boa...

Aliás, esta alma de comerciante também está patente em canções populares no nosso país: quem não sabe cantar o Natal de Elvas, "Eu hei-de dar ao Menino/ uma fitinha para o chapéu/ e Ele também me há-de dar/ um lugarzinho no céu!" O Sr. Pompisk pelo menos faz coisas que se vejam, enfermarias para o hospital, por exemplo, que vieram substituir um telheiro vergonhoso, sob o qual ficavam internadas crianças com doenças gravíssimas.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

[serviço público beijo-de-mulata] cozinha zambeziana

Meus queridos amigos, este é mais um post que merecia o título de "alhos-e-blogalhos-valha-nos-santo-antónio-do-google", mas uma vez que o assunto é pertinente, aproveitei para fazer serviço público. Isto para ver se continuam a dizer que por aqui no mato até se aprende alguma coisa, que foi um reparo que me deixou particularmente bem-disposta...

Ora então houve uma senhora (só podia ser uma senhora, vá, não vamos complicar) que aportou aqui, colocando a seguinte pergunta ao Dr. Google: "O leite de coco tem gordura?"

Não sabendo a resposta com 100% de certeza, fui investigar! E, meus amigos, mais uma vez se confirma a razão de ser da minha paixão pela Zambézia... A Zambézia é uma província mágica, com tradições milenares, mitos e lendas de origens e alvoradas, montanhas envoltas em mistério, paisagens de cortar a respiração, mulheres lindas e crianças com o sorriso mais bonito do mundo, com dias intensos, anoiteceres em que o horizonte nos enche o peito de emoções que só aquela claridade consegue despertar, com praias, areais e palmares a perder de vista e, supreendentemente, com uma cozinha deliciosamente light! Com um pouco de paciência basta clicar ali na coluna da direita, onde se lê Zambézia, para confirmar tudo isto...

Na Zambézia, a comida tempera-se com coco fresco, o que lhe dá um paladar exótico, fresco e delicioso! O nosso cozinheiro subia ao coqueiro, se fosse necessário, para ir buscar os cocos mais frescos, porque não haver coco para cozinhar era assim, mal comparado, como não haver azeite ou sal na nossa cozinha...

Ora, então, calculem que o leite de coco, para além de delicioso, tem apenas 5% de gordura e, claro, gordura vegetal, garantidamente isenta de colesterol, esse diabo assassino (não é bem assim, mas também isto é apenas um blogue, não é um tratado de Medicina)...

O leite de coco é extremamente estável a altas temperaturas e portanto não origina as formas trans dos ácidos gordos, prejudiciais às nossas pequenas coronárias. Para vos dar um termo de comparação, as natas, tão utilizadas na cozinha do norte da Europa, têm 85% de matéria gorda e o leite de coco consegue muitas vezes substituí-las com vantagem!

Como diria a Rita Maria, "vá lá a gente não amar uma cozinha assim"... Amanhã vou preparar uma galinha à Zambeziana!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

[um abraço ao sr. pompisk] força!

Vá, Sr. Pompisk, muita força! Aguente-se que os seus medicamentos devem estar a chegar a qualquer momento... Partiram daqui na sexta-feira, na mala de um missionário [com a ajuda da minha amiga M., que sabe sempre quem vai e quem chega], que os entregou à chegada a Maputo às Irmãs da Apresentação, que o entregaram a uma voluntária, que partia para Nampula no dia seguinte, no voo da manhã. As Irmãs de São João Baptista, minhas amigas, foram a casa dela buscar os medicamentos e entregaram-nos ao Sr. Abdul, capataz da empresa que está a fazer as obras de reparação do reservatório municipal do Gilé, que foi a casa delas esta manhã. Partiu ainda hoje para o Gilé e comprometeu-se a levar-lhe os seus medicamentos assim que chegasse.

Não consigo deixar de sorrir com esta cadeia de transportes... Isto é uma autêntica máfia! Tráfico de influências e de sorrisos, comandado pela minha amiga M.... A quantidade de pessoas que eu já conheci por causa de medicamentos não tem conta, mesmo não fazendo a mais pálida ideia de quem era e onde vivia o destinatário. Quando há boa vontade, tudo funciona, não é verdade? Ainda há duas semanas conseguimos mais uma proeza em tempo record para um doente com diabetes.

É bom fazer parte disto... As melhoras, Sr. Pompisk! Um abraço.

domingo, 8 de janeiro de 2012

[refrões de uma vida] a força que um sorriso pode ter!



O sorriso das crianças de Namitathary...
(Gilé, Zambézia)