O dia em que a ponte do Gilé ruiu... E em que os habitantes da Zambézia nos deram mais uma prova de que, por maior que a tragédia seja, é sempre possível "manter a ponte dentro do peito" e unir os dois lados do rio!
(Gilé, Zambézia)
"Em Moçambique, quando se recebe uma visita em casa é falta de educação perguntar se ela quer comer alguma coisa, se ela quer tomar algo. Perguntar a uma visita se quer comida é receber a visita como se fora um mendigo esfomeado. Receber bem é acolher a pessoa, sentá-la e depois ir cozinhar, colher ou comprar comida para lha colocar à frente. Mas como é que eu ia adivinhar que receber alguém perguntando, Queres almoçar connosco, é uma ofensa?
Esta é uma crónica sobre viver em África, sendo Europeu. Sobre ser estrangeiro. Sobre viver em Moçambique sem ser turista. (...) Segundo a ordem lógica desta crónica, o cronista devia agora apresentar as técnicas, os métodos: o modo e ordem para entrar em terra alheia. Mas o cronista não conhece esses meios. Pior, o cronista não sabe o que não sabe! (...)
Então, como descobrir o que não sei? Procurar moçambicanos, procurar estar com Moçambicanos, procurar estar com moçambicanos nos seus ambientes próprios, e procurar estar atento aos moçambicanos. Este é o único caminho que descobri até agora. Podem contradizer-me: Manel, compra o guia do American Express e lê lá o que precisas de saber; nos guias de viagem está tudo escrito! Contudo, será que no guia diz como se cumprimenta, respeitosamente, uma senhora de idade? Diz qual a ordem pela qual as pessoas se servem à mesa? Ou como comem? Diz qual o gesto apropriado para saudar alguém na rua, e qual o apropriado para o fazer na Igreja? Diz como pedir desculpa?
Eu não sei o que sendo óbvio para um moçambicano, não é óbvio para mim, português. E o meu problema é ninguém perder tempo a escrever o óbvio, justamente porque é óbvio! E, ao mudar de terra, o que parece óbvio deixa de o ser. Aprender novos óbvios é a missão do estrangeiro que não quer ser turista, do estrangeiro que quer entrar em Moçambique, e isso é que torna ser estrangeiro tão apaixonante!"
"Que bom. Não conhecendo o Sr. Pompisk, mas sendo ele motivo para escritos destes, só pode ser boa gente, gente Zambeziana, não desmerecendo os de Inhambane, e outras terras. Só que a Zambézia tem aquele gostinho especial, e efeitos demolidores. Entranha-se!
Quem a viu, e quem a vê, caramba! Já bebeu "água do Zambeze", de certeza. Ah, e essa doença - pode ficar com o seu canudo - que, digo-lhe já, é incurável. Que Nossa Senhora de Mulevala, e a alma comerciante do Sr. Pompisk se coliguem e, já agora, que os camponeses possam dar uma ajudinha. Bom espírito. E que também a "Macangueira" não esqueça de mandar remédios, só para ajudar!"A "Macangueira" era eu... Obrigada, Mr. 1B!