quarta-feira, 31 de julho de 2013

[comentários que valem um post] casamentos felizes

A propósito do post de ontem, tivemos uma leitora anónima que nos deixou o seguinte comentário:

"Estou solidária para com esses meninos. Sou Negrão por parte da mãe e Branquinho por parte do pai. Mas conheço uma rapariga que tem os apelidos Pina por parte da mãe e Valente pelo lado do pai (que mesmo assim não é tão suscetível de gozo como Prazeres do Rego). Face a essa lista, os meus nem parecem assim tão maus."

É verdade, minha querida amiga, o mal de muitos alívio é! Entretanto, pela mesma via, já ficámos a conhecer mais um senhor Rato Calhau Sapateiro e continuamos disponíveis para ampliar a lista. Se bem que o objetivo era provar o impacto desta combinação de nomes na saúde das crianças... Mas podemos iniciar um estudo prospetivo sobre este tema extremamente relevante para a saúde pública.

terça-feira, 30 de julho de 2013

[casamentos felizes] onomástica improvável

Há tempos estive a fazer um trabalho em que necessitei de recolher os dados de todas as crianças assistidas na urgência do meu hospital por uma determinada lesão acidental grave. Foi aí que me apercebi de que se a escolha do nome próprio parece ser determinante para a vida, felicidade e saúde de uma criança, como sobejamente vos expliquei anteriormente (ver o post "nomes de mau prognóstico" ou qualquer um dos posts com o tag "nomes que dizem tudo"), já o casamento de seus pais parece ser determinante para a sorte de seus filhos. De outro modo, como explicar que tantas crianças azaradas, com aquele tipo de acidente grave, tivessem nascido de pais de cujo casamento resultou um apelido que roça o ilegal, de tão improvável? Como o caso da Maria Faria Simãozinho Feliz: Faria por parte da mãe e Simãozinho Feliz por parte do pai. Maria é, obviamente, um nome forjado, tal como os restantes nomes próprios que se seguem.

De onde se conclui, portanto, que, tal como há nomes de mau prognóstico, também há casamentos e apelidos que não auguram nada de bom... Aqui fica mais uma pérola de serviço público, ao cuidado de todos os jovens casadoiros e respetivos progenitores! Acautelai-vos, meus filhos, que como todos sabemos, mau karma gera mau karma.

- Maria Faria Simãozinho Feliz
- Manuel Malícia dos Anjos
- Maria Deus Corta Largo
- José Lapa da Rocha
- Miguel Adubeiro da Horta
- Teresa Vermelho Preto
- Mariana Rosário de Fátima
- Pedro Gancho Fino
- Laura Cara-de-Anjo Feio
- Joana Chora Mil-Homens
- Maria Prazeres de Domingo Bento
- José Prazeres do Rego
- Manuel Chora Calado

Adenda - Lista entretanto aumentada por cortesia dos nossos queridos leitores

- Maria Negrão Branquinho
- João Pina Valente
- José Rato Calhau Sapateiro
- Manuel Margalho Comprido (obrigada, querida Luna!)
- André Fava Chouriço (cortesia da Inês e Pedro)
- Maria Pirocas Espada (muchas gracias, Fitz!)
- Maria Gustava dos Prazeres e Morais (esta é forjada, certamente, mas vá, bem-humorada, da 3A)
- Beatriz Pólvora Labaredas (um casamento explosivo dos avós da Isabel)
- Joana Vinagre Pescada (ex-aluna da Maria João)
- Manuel Natal Querido (que, segundo a Maria Bê, era, de facto, um amor de pessoa!)
- José Papa Ovelhas (há gostos para tudo, que nosso senhor lhe perdoe... cortesia da K)
- Maria Pilão Duro (o nome fantástico de uma amiga da P., Pilão por parte da mãe e Duro por parte do pai; quem lucrou mais com o casamento feliz do seu pai foi o irmão da Maria, para quem os apelidos foram a garantia de uma adolescência feliz e bem-sucedida!)
- Manuel Passos Dias Aguiar (o clássico nome de um taxista de profissão)
- Maria Sardinha Alface (mais alguns nomes e já podemos começar a dividi-los por categorias: culinária, religião, luxúria, etc.)

Foi feito um aviso para que a Ana Bacalhau dos Deolinda leia este post antes de ter um filho do seu marido José Pedro Leitão. Não sei se concordo, mas pronto, fica o aviso...

Por outro lado, lembrei-me hoje que sou bisneta de um senhor cujos apelidos configuravam uma radical impossibilidade bíblica: José da Ressurreição dos Anjos.

E mais a Dona Maria das Dores Fortes, que se casou com o Sr. João Barriga e que, não contente com os apelidos do casamento feliz de seus pais, ainda adotou o nome do marido (cortesia da Rita Alves)

E já me esquecia do Senhor Francisco Pão Costa, que teve um tumor de Pancoast! (Mas que, não obstante o azar que o nome preconizava, acabou por sobreviver ao carcinoma sem grandes problemas).

Adenda II - Afinal Maria Gustava dos Prazeres e Morais é um nome verdadeiro, que a 3A confirmou vendo o respetivo BI!

sábado, 27 de julho de 2013

[músicas para o baby-de-mulata] rema para lá, lanchinha


 
Quando o baby-de-mulata "nasceu" cá para casa, na altura com 16 meses, reuni as mais belas canções de embalar que conhecia, desde o Candlelight Carol do Rutter até às canções que aprendi com as mamãs macuas nas longas noites que passei no hospital em Moçambique, à cabeceira dos meninos mais doentes. Recordei as músicas que aprendi com os senhores da "Música nos Hospitais", os tais de quem já vos falei uma vez, que quando apareciam deixávamos de necessitar de tanta medicação para a dor e os meninos descansavam sempre melhor nessa noite.
 
As primeiras noites comigo foram idílicas... Eu sentia-me inspirada, afinava a voz, que só na idade adulta se conformou às escalas e conseguiu começar a cantar, e ele quase adormecia nos meus braços. Depois era só pô-lo na cama, dar-lhe um beijinho e tapá-lo e ele ficava meio adormecido, com um sorriso de anjo.
 
Foi mesmo sol de pouca dura... É que havia um pequeno pormenor de que eu não me tinha lembrado: o baby-de-mulata é rapaz! Daqueles mesmo em que o cromossoma Y se nota à légua. E também não é muito amigo de dormir... Portanto o que era o Candlelight Carol comparado com as músicas muito mais interessantes que eu lhe cantava durante o dia, sobre popós, aviões e bicicletas? Ele queria excitação e ritmo e eu dava-lhe Brahms e Rutter? Que desgraça de mãe que lhe tinha caído em sorte...
 
E então no dia em que, já à míngua de músicas para rapazes, lhe cantei "O carro do meu chefe teve um furo no pneu", foi o descalabro total. Dom baby-de-mulata fez-me a derradeira desfeita de a eleger como a sua canção de embalar preferida! Eu merecia? Pelos vistos sim. E ele também... E foi assim que começou a demorar muito mais tempo a adormecer, mas as mais belas canções de embalar deram lugar às mais-belas-e-estapafúrdias-canções-e-coreografias-e-respetivas-variações de embalar. O que se perdeu em romantismo ganhou-se em riso e divertimento.
 
Até que há umas semanas o Senhor Édipo chegou cá a casa sem eu contar... E ele se aninhou no meu colo e com a sua voz mais fofa me pediu: "Canta, mãe..." "E que música queres", perguntei-lhe. E ele pediu-me a "Lanchinha". Agora, de vez em quando lá me deixa matar saudades do papel de mãe que idealizei para mim e que, confesso, não tem metade da graça do papel que ele me ensinou a desempenhar...

quinta-feira, 25 de julho de 2013

[serviço público] para trás é que se vai em frente!

 

 
Meus queridos amigos, o beijo-de-mulata não é um blogue de serviço público, é apenas um blogue que tem o nome de uma flor silvestre que nasce em qualquer degredo e se cria em qualquer chão porque fala sobre o que me passa pela cabeça. Só não faço serviço público por uma única razão: é que raramente me passam pela cabeça temas que possam remotamente ser de algum interesse para o público. Excetuando as parcas mas honrosas exceções* em que fiz questão de vos explicar como diminuir a mortalidade infantil através da escolha adequada dos nomes próprios, ou como ajudar a dar à luz numa bomba de gasolina. Tudo coisas com imenso substrato, portanto.
 
Mas hoje resolvi falar-vos de uma questão muito séria. Não concebo que não se faça nada sobre isto e que pouca gente dê atenção a este tema: não há semana nenhuma em que não veja ou ouça falar de uma criança com menos de 4 anos que ficou tetraplégica ou teve um traumatismo craniano grave com sequelas irreversíveis durante um acidente de automóvel. Em acidentes de nada, pequenas distrações a 30 km/h, em trajetos curtos, de casa da mãe para a casa da avó, em crianças que iam na cadeirinha no banco traseiro, numa cadeirinha bem instalada, com pais cuidadosos.
 
Como?!, pergunta quem não costuma ouvir falar disto. A verdade é muito simples: as crianças não têm força suficiente nos músculos do pescoço para suportar o "efeito chicotada" numa pequena colisão frontal. E isto é muito, muito sério! Mas quando se pergunta aos pais dos meninos internados nos intensivos a razão pela qual os meninos iam voltados para a frente, a resposta é invariavelmente: "Porque ele já tinha idade." ou "Porque achei que ele se conseguia entreter melhor se fosse virado para a frente." ou "Mas as cadeirinhas que existem a seguir aos 13 kg são todas viradas para a frente". Ou seja, ignorância pura!
 
Quase ninguém ouviu falar da necessidade de transportar as crianças voltadas para trás o máximo de tempo possível. Há poucas cadeirinhas no mercado que permitam esta função. As poucas que existem são bastante caras. Mas não são proibitivas. Eu tenho uma destas para o baby-de-mulata, obviamente. Não concebo transportá-lo de outra maneira. E tenho a certeza de que muitos dos pais cujos filhos ficaram com lesões irreversíveis teriam comprado e usado o mesmo tipo de cadeirinha que eu, se soubessem o que estava em jogo... Vejam o vídeo. Vale a pena. Vale muito mais uma cadeira destas do que um presente caro. É que eles depois vão é brincar com as molas da roupa...
 
* O pleonasmo também é uma figura de estilo...

terça-feira, 23 de julho de 2013

[welcome to mozambique] de comer e chorar pelo ramadão


 
O Ramadão em Moçambique. 
Os praticantes da fé muçulmana pouco se afastam das mesquitas durante o dia, em todo o Ramadão. Ao cair da noite reúnem-se sob um céu que se deseja escuro, depois do tão desejado pôr-do-sol, para enfim renascer um pouco da letargia que assola corpos e mentes durante o dia, invadidos de fome, calor e cansaço...
 
Mas eis que desabafa a minha amiga Maria, em voluntariado em Mitande, no Niassa:
"Meus amigos, alguma vez desejaram ser muçulmanos? Alguma vez desejaram cumprir fervorosamente o Ramadão? Bem eu nunca. Até ontem.

Foi numa visita a uma comunidade, após ouvir todas e mais algumas preocupações, ter feito consultas, tratamentos, psicoterapia e ter sabido novidades de algumas mamãs e crianças que eu tinha tratado na minha visita anterior, as mamãs aldeia da chamaram-me para um almoço que tinham preparado especialmente para mim: xima* e peixe seco [um peixe-seco-insuportavelmente-mal-cheiroso-coberto-de-areia-e-moscas-nas-bancas-dos-mercados-e-só-de-pensar-nele-já-sinto-cólicas-e-os-intestinos-num-rebuliço], comida que se come à mão, sentada numa esteira, depois de lavar as mãos na mesma água em que já todos lavaram as suas, mãos essas que, obviamente, nunca são lavadas depois de satisfazer necessidades fisiológicas e afins. Agradeci com um sorriso nos lábios e um aperto no estômago.

Viro-me para o ativista que me acompanha nas saídas à comunidade: "Temos mesmo de comer, não é?" Ao que ele prontamente me responde: "Sim, a enfermeira tem de comer, eu estou a celebrar o Ramadão."

Pois.. Ainda ponderei responder que também estava a celebrar o Ramadão. Mas depois lembrei-me que vivo no pátio da igreja e que toda a gente me chama de irmã, portanto estava por terra a única desculpa culturalmente aceite para recusar uma refeição..."

Maria, minha princesa africana, se me estás a ouvir: dá sinais de vida, please! Mas tens aí, no kit de emergência que te preparei, alguns medicamentos que te podem servir nos próximos dias...
* Farinha de milho cozida e amassada, que serve para acompanhar o prato principal.

domingo, 21 de julho de 2013

[vozes brancas] quem é que manda aqui?

Dois irmãos, filhos de uma amiga minha. Ele de dois anos e pouco, um vulcão de palavras, saltos, correrias e desenvolvimento precoce. Ela de quase cinco anos, uma princesa cor-de-rosa, exótica e dançante, tão bem disposta como traquina e com muita, muita personalidade... O irmão, contra todas as regras lá de casa, empoleirara-se numa cadeira do escritório do pai e afadigava-se no computador interdito a abrir caixas de texto e janelas aleatoriamente:
- P., não podes fazer isso!
- Faço sim, eu é que mando!
- Não mandas nada, tu não és o pai!
- Sou sim!
- Não és nada! Tu ainda és pequenino!
- Não sou nada! Sou muito g'ande!
- Não és nada, nem sequer tens pelo!
- Tenho sim! Olha aqui, tenho cabelo!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

[baby-de-mulata] habemus adopção plenam!

Alvíssaras, meus amigos! Quase um ano depois de ter dado entrada com o processo na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nove meses depois de me ter sido entregue o menino, o baby-de-mulata é meu filho de alma e coração e de papel passado pelo Tribunal de Família e Menores. Já tenho o nome do meu menino em papel timbrado! Dentro de poucas semanas terei o novo assento de nascimento e em breve, na Loja do Cidadão, hei de protagonizar o papel abaixo desempenhado por aquela jovencita muy lista, que me encanta. E depois, meus amigos... depois poderemos ter o cartão de cidadão e viajar, viajar, viajar! É caso para dizer que o céu é o limite e as nuvens o destino!
 

sábado, 6 de julho de 2013

[isto da adoção] é um mundo maravilhoso

Nem imaginam como estou agradecida pelo milagre que foi este menino na minha vida! Quando o baby-de-mulata veio cá para casa, acho que no início nem tinha expectativas nenhumas. Até tinha medo de pensar em todas as mudanças que aconteceriam na minha vida. Estava tão feliz, mas ao mesmo tempo tão receosa...

Por isso acho que foi ainda mais maravilhoso tudo o que aconteceu e a forma como foi acontecendo. Eu já estava completamente rendida e apaixonada por ele mesmo antes de ele ir lá para casa, mas foi lindo ter percebido como esse amor aumenta todos os dias e que o menino se torna mais meu a cada dia que passa, mais parte de mim.

Acho que da última vez que ele esteve doente percebi isso ainda melhor: de cada vez que ele gemia, parecia-me que o peito me doía cada vez mais... Mesmo sabendo que ele não tinha nada de grave, compreendi de repente os pais que vão a correr para a urgência ao primeiro pico de febre. Apeteceu-me também pegar nele e levá-lo para ir pedir a alguém: "Por favor, façam-me alguma coisa por ele, tirem-lhe esta dor, que ele está mal e eu tenho a alma a desfazer-se!" Mil e uma doenças graves me passavam pela cabeça. As primeiras horas de febre alta são tramadas para uma pediatra... Mas claro que me acalmei e lhe baixei a febre e lhe dei colo e miminhos, que a ir para a urgência não serviria de nada, só se ia infetar com outras bicharadas e eu ia ser gozada até ao fim dos tempos. A mãe que habita em mim é histérica, eu sei, mas por fora sou uma pediatra de bata branca, de pedra e cal, calma, ponderada e não cede a impulsos irracionais.

Também foi mágico perceber que ele próprio passou a gostar de mim. Quando foi para minha casa ele já me aceitava perfeitamente, pedia-me colo quando caía, recorria a mim quando precisava de alguma coisa e deixava-me cuidar dele. Divertia-se comigo e também se via que gostava dos meus mimos. Já tinha a certeza absoluta de que eu gostava dele e fazia exigências, algumas birras. Mas era muito displicente. Penso que para ele, eu ainda não era bem uma mãe, era assim mais como se fosse uma empregada... A chamada criada-para-todo-o-serviço! E para mim isso chegava. Ele é um menino lindo, maravilhoso, muito alegre, com uma energia incrível. Enche uma casa. (Sim, não sei se se nota muito, mas sou uma mãe mete-nojo de tão babada...)

Mas, a partir do segundo mês, ele passou a ficar de vez em quando parado a olhar para mim como se estivesse, também ele, enamorado, e repetia: "Mamã, mamã..." Nunca imaginei uma coisa destas! Não sabia que isto podia acontecer com eles desta maneira, mas sei que estes sorrisos e estes olhares têm feito tudo valer a pena! Ele apaixonou-se por mim e eu tornei-me a mãe mais feliz do mundo!

terça-feira, 2 de julho de 2013

[filhos do coração] coisas para pensar...


Tenho várias amigas que ponderam atualmente adotar uma criança. Cada uma por razões diferentes...

Ou porque são solteiras, ou porque têm doenças graves cujos tratamentos as tornaram estéreis, ou porque apesar de cinquenta mil tentativas (estimulação da ovulação, inseminação artificial, cirurgias de todos os tipos, várias FIV, e o diabo a quatro, ou-o-diabo-a-sete-que-um-diabo-nunca-vem-só-valha-nos-Nossa-Senhora-do-Ó-acreditem-em-mim-que-sou-versada-em-diabologia,-ou-em-diabetologia,-que-na-gíria-do-nosso-povo-é-exatamente-a-mesma-coisa-e-para-o-caso-até-me-dá-imenso-jeito), ainda não conseguiram engravidar, ou porque tiveram um primeiro filho com problemas graves e não se querem arriscar a repetir o gene que nunca se chegou a identificar, ou porque viveram uma gravidez anterior complicadíssima e não ficaram arrebatadas com a experiência de quase-morte, não lhes apetece escrever um livro sobre isso e, de facto, também não estão para se arriscar a patinar outra vez, que isto é como aquela história do Anaxágoras: se me enganas uma vez a culpa é tua, se me enganas duas vezes a culpa é minha!

Eu digo sempre que recomendo! Que é algo de maravilhoso de repente ter a oportunidade de acompanhar uma criança, recebê-la na família e vê-la crescer numa explosão de desenvolvimento, como são os primeiros meses numa casa com uma família que acolhe, estimula, aplaude e fica feliz com todas as conquistas...

Mas depois há quem diga que as motivações das minhas amigas e das pessoas que querem adotar em geral, não servem o superior interesse das crianças. Que o objetivo primordial das pessoas que querem adotar é satisfazer o desejo egoísta de ter um filho e não de dar uma família a uma criança que foi abandonada ou retirada a uns pais que a maltratavam ou negligenciavam. Que todo o processo de adoções está errado porque deveria ser concebido para encontrar uma família para cada criança que dela necessite e não "arranjar bebés" para pessoas que não podem conceber...

Não sei sequer se me deveria debruçar sobre esta questão. A vida para mim é simples demais para estarmos com estes senãos. O amor entre duas pessoas adultas é uma improbabilidade incrível. Já o amor entre os pais e os seus filhos é um milagre muito mais provável, quase garantido! O que é que interessa a motivação de uma pessoa, desde que esteja de boa-fé para aceitar a criança, seja ela como for? A relação perfeita pode não se estabelecer de imediato, claro, é preciso amadurecer o amor, deixá-lo vir devagarinho e saborear o processo. Sabemos que nem o processo, nem os pais nem as crianças são perfeitos. Mas é o processo que temos e é com as pessoas que existem nele que temos de funcionar!