sábado, 30 de julho de 2011

[instantes] pode o mar fugir-me um dia?



O dia em que o Índico se tornou frio e distante e em que os pescadores começaram a senti-lo fugir debaixo do barco e esquivar-se ao contacto íntimo e envolvente com o seu corpo... Será, meus amigos, que nem a cor do mar é garantida?
(Ilha de Moçambique, Nampula)

Bem, não perguntem. Não perguntem nada. Só há uma de duas hipóteses, ou eu estou desiludida com as pessoas e com o mundo em geral ou estou a entrar numa fase surrealista sem me dar conta. Curiosamente, agrada-me mais a segunda hipótese...

[instantes] quando eu danço para ti...


Quando eu danço para ti, o mundo inteiro se desvanece...
(Missa em Murralelo, Nampula)

[interlúdios] sabes que está na altura de comprar uma televisão quando...

Tenho vários amigos e conhecidos que vivem felizes sem uma televisão em casa. Um deles é pai de seis filhos. Não encontro qualquer relação entre o baby boom e a ausência de televisor, embora estes dois fenómenos sejam, na vox populi, causa e efeito, o primeiro consequência natural do segundo. Dois dos filhos deste meu amigo são agora adolescentes e, no entanto, ambos são aparentemente normais, embora me pareçam ligeiramente mais vidrados que o habitual para a faixa etária quando dão de caras com um ecrã... Eu própria tenho para mim que poderia viver feliz se não tivesse uma televisão em casa, se se desse o (a)caso de não a ter. [E mais uma vez o beijo-de-mulata presta homenagem aos soldados foliões que imortalizaram o Marquês de la Palice.] Por acaso na Catalunha até vejo de vez em quando o "Sexo e a Cidade" dobrado em castelhano e acho-o absolutamente impagável! Nunca pagaria para ver tal coisa, se bem me entendem...

Por vezes o assunto vem à baila. Uns referem-se ao facto como mera casualidade: "Ainda não nos deu para aí." ou "Nunca nos decidimos a comprar uma, não sei porquê.", outros justificando-o com ligeireza: "Não temos necessidade, vemos tudo o que precisamos na internet e não gostamos da programação." e outros ainda com um discurso sobre "opção de estilo de vida" e os malefícios da televisão sobre a vida familiar.

Recentemente, um destes meus conhecidos, representante convicto desta última posição, viu-se obrigado a comprar uma televisão por pressão da empregada interna e babá dos meninos, uma brasileira de nascimento e de coração, e fervorosa adepta do momento empty box de todas as noites. Aquela mulher era uma força da natureza, fonte de boa disposição e de escape para as energias das crianças, responsável pelo seu sotaque morno e cantado e pelo bambolear leve das ancas da mais nova quando dançava "os patinhos". Um dia a babá dos seus filhos ameaçou despedir-se se não tivesse uma televisão para ver a novela das nove. Acabou por ceder. Afinal de contas a empregada podia muito bem ver a novela das nove sem que isso interferisse com a dinâmica familiar e poderiam manter o seu estilo de vida saudável com uma televisão no quarto da empregada.

Mas mal esse bicho do demo entrou lá em casa, a vida transformou-se. Dava por um sossego invulgar às cinco da tarde, que lhe permitia ler o jornal e preparar as sessões de formação com muito mais calma e o dobro da velocidade, mas quando ia ver o que se passava, os meninos estavam sentados na cama da babá a ver o Ruca. Ficava com os cabelos em pé quando percebia que às oito e meia a mulher tinha desaparecido no quarto da empregada adentro para ver o telejornal. E o pior de tudo é que dava por si com saudades das comédias e séries policiais da sua adolescência e a imaginar como seriam sofisticadas e empolgantes as séries americanas actuais de que falavam às vezes os colegas de trabalho.

A cama da babá rapidamente passou a sofá de toda a família e o quarto a centro de reunião e convívio familiar. Até que a senhora, dona de uma personalidade invulgar, deu novo murro na mesa. Então invadia-se assim o quarto de uma pessoa? Já não se podia ver a novela das nove descansada sem a sensação de que os donos da casa preferiam estar a ver as notícias? Que espécie de empty box era aquela?! Hum? "Assim não podjia sê não!" E, pronto, não havia mais nada a fazer se não rever todas as suas convicções acerca do mundo em geral e da família em particular e perguntar à empregada se não se importava que a televisão, que afinal fazia muita falta, passasse para a sala porque eles agora queriam jantar todos a ver a novela das nove, como as famílias disfuncionais!

Adenda: Este post não contém uma moral. Nem uma opinião pessoal. E também não tem um motivo. Poderia dizer-se que "encerra em si a razão da sua própria existência", tal como um jantar de amigos, mas nem mesmo isso me apetece que se diga. É uma história apenas. Verídica, toda ela, pois claro. Tirando aquela parte do Marquês de la Palice, mas isso não é culpa minha...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

[instantes] brincando ao faz-de-conta



Crianças iniciando-se na nobre arte de tocar batuque...
(Moçambique, foto encontrada algures no google)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

[frases inspiradoras] hoje é o dia, este o momento...


(Barrio Gràcia, Barcelona)

Vem, meu amor, não tenhas medo... O mundo é um local lindo para se conhecer. Aqui vais ter beijos, abraços e mimo e colo e pele e peito e amor e riso e tudo o que faz o coração querer continuar a bater sempre mais. E no fim, prometo, ele há-de achar que ainda teria valido a pena bater, nem que fosse mais uma vez! Vais ter quem te leia os pensamentos, quem te adivinhe as necessidades, quem te ampare as angústias, quem te ame tanto que possa pensar que nada mais existe para lá da orla do teu cabelo. Quem não se importe de fazer o pino para te arrancar um sorriso. Quem te ensine a levantar a cabeça e olhar o outro com confiança. Vem, não tenhas medo! Deixa-te amar. Incondicionalmente. É tudo o que tens de fazer. Até já! Só mais uma coisa... nunca duvides de que tudo isto é verdade. Não duvides de que a vida basta.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

[welcome to catalunya] felizmente há luar...


Playa Bogatell ao anoitecer...
(Barcelona, Foto da R.)

[welcome to catalunya] frases inspiradoras


No te pongas malo que estamos en crisis. Un convite de HSJD.
Não fiques doente que estamos em crise. Uma sugestão do Hospital Sant Joan de Déu.
(Barcelona)

Não é um cartaz da autoria dos Indignados, acampados durante meses na Praça da Catalunha... Temos pena que não o seja, que assim conferia mais tempero ao slogan, não o deixando ser um mero panfleto e sim parte de um movimento maior, mas pronto, isso também é indício de que até num hospital pediátrico se exerce o direito à indignação! Obrigadinha e façam favor de não adoecer... Porque sim. É sempre saudável.

[welcome to mozambique] o mercado das calamidades




Vendendo e comprando a roupa usada, doada por países mais a norte do equador... São estes os mercados das "calamidades". Suspeito, aliás, que em Moçambique, para a maioria das pessoas, a palavra "calamidade" é sinónimo não de catástrofe mas de roupa barata usada, vinda da Europa.
(Maputo, Moçambique)

[outras palavras] a loira do jeep parado no semáforo


Crianças...
(Maputo, Moçambique)

Um post de Eduardo Castro, do ElefanteNews (o link está ali na coluna da direita, sob a vénia de olavula sana), tão real e tão verdadeiro que não resisto a partilhá-lo.
Parado no sinal fechado, voltando do almoço, vi a loirinha abrir a janela do Jeepão 4×4 e fazer um gesto pra menino que estava ali, no cruzamento das avenidas Mao Tse Tung (ele mesmo) e Julius Nyerere (ex-presidente da Tanzânia), zona nobre de Maputo. O garoto veio, correndo entre os carros. A moça deu a ele dois saquinhos – um azul e outro rosa. Eram de algodão doce. Os olhos do menino ficaram bem arregalados, e muitos foram os sorrisos e agradecimentos.

Abriu o sinal, o trânsito andou, o Jeepão foi embora, e eu, sem vaga pra parar o carro, acabei por ter que dar outra volta no quarteirão, parando quase no mesmo sinal fechado, uns dois minutos depois da cena inicial. Tempo suficiente para ver o mesmo menino, os mesmos saquinhos. Só que agora, ele já estava tentando vendê-los.

Decepcionado com tanta “ganância”? Não fique. Sorriso e algodão doce podem até preencher o coração do menino de amor, mas não mata a fome dele. O que mata a fome dele é xima: água e farinha de milho, base da alimentação de milhões e milhões de africanos.

“Quebra um pouco o encanto”, mas pobreza não tem encanto. Olhos azuis cercados por cabelos amarelos, quando encontram olhos pretinhos num rosto tristonho, costumam brilhar de compaixão e piscar intensamente, cheios de doçura – mas não enchem barriga.

Pra alguns também “quebra o encanto” saber que aquele agasalho velho que foi doado para “os pobres da África” não é entregue a um “pobre da África”. É destinado a instituições (em alguns países é mesmo o governo que faz isso) que – segure seu queixo, loirinha – vendem essas roupas, aos fardos, para revendedores locais.

Há verdadeiros mercados só com as roupas doadas. Aqui em Moçambique chamam a isso de “Calamidades”. “Comprei nas Calamidades”, é a frase. Camisas, calças, cintos, vestidos, agasalhos, sapatos, cobertores, tecidos, chapéus, toalhas, sacos de dormir, barracas de lona, fogareiros. Tem de tudo nas Calamidades.

Sim, loirinha: eles vendem aquele vestidinho que você doou “com tanto carinho”. E isso é ótimo. Gera emprego e renda pro vendedor, distribuidor, revendedor, costureira que conserta o que não vem bom, motorista do caminhão. Alguém usa a roupa, mas alguém também ganha dinheiro – e compra farinha pra fazer xima.

“Mas estão lucrando em cima de mim! Da doação que fiz com tanto carinho!” Bom, chegamos ao ponto da indignação, então: é que eles ganham, e não você – que doou “com tanto carinho”.
Ler o resto do post aqui.

terça-feira, 26 de julho de 2011

[barcelona no seu melhor] desigual


Basílica de Santa María del Mar
(Barcelona)

[welcome to catalunya] o conceito de segurança


Não distraia o motorista, por favor, ele vai a uma velocidade suicida de 45 km/h (nem sempre, em certas zonas vai a 24-30 km/h, não se assuste). Tem de ir com mil olhos...
(Cremallera de Montserrat, Barcelona)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

[welcome to mozambique] a baía de fernão veloso



A Baía de Fernão Veloso
(Nampula, Moçambique)

“Disse então a Veloso um companheiro
(Começando-se todos a sorrir)
-"Ó lá, Veloso amigo, aquele outeiro
É melhor de descer que de subir."
- "Sim, é, (responde o ousado aventureiro)
Mas quando eu para cá vi tantos vir
Daqueles cães, depressa um pouco vim,
Por me lembrar que estáveis cá sem mim”
Luís de Camões in Lusíadas, Canto V, estrofe 35

[welcome to mozambique] o grande hotel da beira


Em contraste, a ocupação do Grande Hotel da Beira, um dos maiores squats do mundo, não se pode dizer que seja devida a qualquer ideologia, mas a uma necessidade premente de alojamento... Enfim, parafraseando um aforismo muito conhecido, sobre as diferenças entre homens e mulheres: os Europeus precisam de um motivo, os Africanos só precisam de um sítio!
(Beira, Moçambique)

[a cada um seu século...] okupa y resiste!



Okupa y resiste! Um dos emblemáticos squats de Barcelona. Mais do que uma necessidade de alojamento, um manifesto político. Os habitantes vivem como que nos anos '60, hippies nas casas ocupadas, num misto de ideologia comunista fervorosa e de revolta contra a globalização e a especulação imobiliária... A cada um seu século...
(Barcelona, vista do Parc Güell)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

[outras palavras] a fronteira com a tanzânia

Meus queridos amigos... agora é que é! Jornalismo literário ao mais alto nível, fotorreportagem e uma odisseia improvável para passar a fronteira com a Tanzânia, através do mítico rio Rovuma, a fim de obter uma prorrogação de um visto de estadia. Uma descrição de Moçambique no seu melhor e no seu pior. Vão lá ver e depois digam-me, não é a melhor história que já leram sobre Moçambique?

[birdwatching] umbhalane, serinus mozambicus


Um xirico, ave canora de Moçambique.
Quem quiser ficar encantado pode vir aqui ouvir o seu canto lindíssimo...
(Imagem encontrada algures no google)

umBhalane foi a primeira pessoa que, no ano passado, chegou aqui ao mato para vir ver o que se passava com um inusitado beijo de uma mulata, que no fim de contas era apenas uma flor selvagem, venenosa e ubíqua, vítima de ilusões, encantos e saudades. E de equívocas pesquisas no google. Diz-me que às vezes voa por aqui... Ontem perguntei-lhe a origem do seu nome peculiar e ele contou-me esta história linda, que eu achei uma pena ficar escondida na gaveta dos comentários...

umBhalane, em Zulu, é xirico, canário de Moçambique, ave canora de primeiríssima qualidade, e com quem tenho grande afinidade. Em muana* tive vários, sendo que os machos, como é normal no reino das aves, é que melhor cantam.

Os trabalhadores sazonais da alta Zambézia (Maganja, Mulevala, Ile, Alto Molócuè, etc...), alguns deles, traziam consigo um destes exóticos pássaros, e hoje compreendo bem o porquê.

E não os vendiam por nada deste mundo.

Aprendi cedo, compreendi, o significado de "desterro", o apego à terra de origem, ao lar. O xirico que traziam, e guardavam com mil cuidados em pequenas gaiolas, idênticas à que se usam para os pintassilgos cá em Portugal, mas em colmo, meticulosamente construídas, era o "link" a casa, à família,...
E quando deambulava nos acampamentos desses sazonais trabalhadores, de ginga, provocava-os com ofertas mirabolantes pelos "pavarottis" que possuíam e, já no gozo, respondiam-ea rir, cheios de orgulho xiriquiano.
E no Moçambique para Todos (blogue) tentaram silenciar-me, não o editor, mas uns "democratas libertadores" de Maputo.
Comentaram com o meu antigo "nick", muito a despropósito, e resolvi que nunca me iriam calar - adoptei então o xirico - umBhalane. E canto...
* Do Macua, mwana, que quer dizer "criança".

[alhos e blogalhos] o senhor do kuwait

Meus queridos amigos... hoje venho aqui para carpir as minhas mágoas. Então não é que o senhor do Kuwait, por quem eu nutria tanta estima, tanto respeito e admiração pela persistência e honestidade, que vinha aqui ao mato de propósito visitar-me, à boleia do meu Santo Antoninho do google, buscando o "nome científico da flor beijo-de-mulata", acabou de me dar um desgosto inenarrável?

Nem queria acreditar quando hoje abri o StatsCounter e percebi que o mesmo senhor que motivou um post inteiro para o seu esclarecimento, passou a vir aqui ter ao mato pesquisando por "mulatas selvagens". Foi um golpe baixo, meus amigos, muito baixo... Uma menina, recatada e púdica, de boas famílias e com a melhor das intenções decide fazer serviço público a bem de uma pessoa e dos que mais partilharem a mesma angústia por essa blogosfera acima* e depois, só para me magoar, tenho a certeza!, o próprio senhor reage com uma afronta destas? Eu ando um pouco sensível, é certo. E um pouco irritável, também, mas digam-me, meus amigos, depois deste post, de puro serviço público e altruísmo, eu merecia isto? O desencanto, meus amigos, é a pior forma de solidão... E nem me digam nada, que a minha vida são só desilusões... e mojitos, vá. E outras coisas, pronto. Mas... mas... ainda assim eu acho que não merecia isto.

* Desculpem, mas soava-me mal a aliteração "por essa blogosfera fora".

[instantes] iapala ao entardecer



As meninas ensaiando as danças para a missa... Momento de descontracção e galhofa ao fim da tarde.
(Iapala, Nampula)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

[instantes] cada mulher é uma ilha



A mulher que, alheia a tudo quanto já tinha deixado de existir em seu redor, apanhava marisco na maré-vaza...
(Ilha de Moçambique, Nampula. Tratamento de imagem: Photobucket)

terça-feira, 19 de julho de 2011

[welcome to mozambique] sem medo, nem dó, nem drama





Somos uma família feliz. Vivemos aqui há 45 anos! Mas andámos fora, no mato, em Nampula, em Angoche durante a guerra. Ihhh... fugimos tantas vezes... Construímos cinco casas e tivemos de fugir de todas, às vezes sem levar nem esteira... nem comida [um sorriso nos lábios, aquele sorriso que nunca se apaga e que quer apenas dizer "gosto de estar aqui a falar consigo."]. Depois da paz voltámos para aqui. Quase tudo aquilo que temos, desde os tijolos da nossa casa, à cerca, às panelas com que cozinho ou ao forno onde faço o pão com que ganho a vida... quase tudo foi feito à custa dos nossos braços. Mas a nossa riqueza... ihhh, mamã!, foi Muluku* que nos trouxe. Dez vezes, que foram as vezes que eu nasci! E todos vivos... A primeira sorte** está em Nampula, vai ser padre! [os olhos brilhando... uma pausa para avaliar o impacto deste enorme motivo de orgulho...], outros estão ali na vila e os últimos três estão connosco. E os netos agora também!
(Voz amadurecida da Mamã Teresa, Moneia, Zambézia)

* Deus
** O filho mais velho

[welcome to mozambique] uma avaria no mato


Pelas minhas contas terá sido mais ou menos aqui que a leitora deste blogue terá tido uma avaria na bomba da água do jeep e foi socorrida pelo Sr. Pompisk! Nice place for an breakdown, don't you think? Felizmente Moçambique trata-nos bem! A mesma mão que nos fecha uma janela é a mão imensa da multidão que depois nos corre a abrir um portão de par em par... Tudo acontece, é verdade. Não podemos esperar que existam boas estradas, bons serviços de assistência. Não podemos esperar que existam sequer estradas ou quaisquer serviços, melhor dizendo. Mas geralmente tudo se resolve sem esforço, tudo nos vem ter à mão, como uma bênção...
(Alto Molócuè, Zambézia)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

[estados de espírito] feeling moody's


Nampula, a entrada da nossa rua no Bairro de Muahivire, que em macua quer dizer "interdito"... O lixo na rua da Santa Cruz desafiava ironicamente o aviso na parede em frente, onde se lia "Proibido deitar lixo e mijar!"
(Nampula, Moçambique)

Há uns dias que me apetecia escrever a sério sobre isto... Mas como estamos na silly season, ficamo-nos pelo trocadilho.

domingo, 17 de julho de 2011

[en españa se habla la lengua del imperio] a silly season na catalunha


O Nascimento do Mundo
(Salvador Dalí)

Ao longo dos últimos dias, eu e os mais atentos à vida que se vai passando aqui e ali, no meio do mato, tivemos a prova de que o mundo é pequeno... Foi a Ruiva que, na cidade das acácias conheceu o meu amigo Francisco Campos sj, foi a leitora que conheceu o Sr. Pompisk (uma história deliciosa! Para ela e para o Sr. Pompisk, se nos estiverem a ouvir, um grande abraço...), foi outra leitora que conhece bem Nampula e já esteve para ir ao campo de refugiados de Maratane (acho bem que não tenha ido... já é duro o suficiente quando se vai para ajudar, mesmo podendo de facto fazer qualquer coisa. Ir para visitar seria algo de sinistro...).

Mas a prova cabal de que o mundo é um ovo, meus amigos, tive-a ontem aqui em Barcelona: em catalão fala-se em escalfament global! Também há quem diga que o mundo é uma ervilha, o que faz sentido neste contexto culinário... Eu só acrescentaria uns pedacinhos de jamón ibérico para dar alguma graça e um sabor mais internacional a esta aldeia global...

Pois... eu sei, passar a silly season na Catalunha dá nisto. Se calhar devia hibernar, como no ano passado.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

[how to write about africa] buala

O Buala, de longe o melhor site lusófono de cultura africana (está ali o link na coluna da direita, por baixo de uma vénia de olavula sana, para quem o quiser ir explorar) partilhou connosco este texto delicioso, publicado originalmente no Granta. Uma paródia aos estereótipos de quem escreve sobre África. Vão lá ver, que vale a pena!

[et in iapala ego] o nampula-cuamba orient express

video

Iapala... e a vida que gira em torno da passagem do comboio para Cuamba. Uma oportunidade única de ganhar o dia, que se não se agarra, perde-se para sempre. Percebe-se mal, eu sei, os vídeos no blogger perdem sempre qualidade... Mas tentem adivinhar a expectativa de quem espera o comboio para vender o que quer que seja à sua janela...
(Iapala, Nampula)

E eu para aqui tão longe, prestes a tornar-me literalmente num bicho do mato... Hoje desabafava no facebook com um amigo, que não sabia o que fazia na Catalunha quando podia estar mais feliz a trabalhar no país do meu coração, ao que ele me respondeu: "O que se passa contigo? Estás com saudades de Moçambique? Também eu... Hoje um pouco mais. Mas não te podes deixar desiludir assim, este mundo é mesmo para gente forte! Há pessoas que não descobrem isso numa vida inteira. Força, que hoje também é dia. Quando o comboio de Iapala passava, havia sempre quem ficasse também... A vida reconstrói-se!"

É tão bom quando desabafamos com a pessoa certa!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

[isto não é um blog de auto-ajuda] mas quero que se sintam bem...



Senti-me tentada a pedir desculpa pelo post de ontem (esse mesmo aí abaixo, não preciso de pôr link, pois não? Ah, bom!)... Eu sou daquelas pessoas que se sente responsável pelo bem-estar dos que a rodeiam e, consequentemente, dos que mui amigavelmente se deslocam todos os dias aqui ao mato para me visitar. E até são uns quantos, valha-me Deus, tendo em conta a quantidade de disparates por cada mil caracteres, nem sei se vale a pena a viagem, mas adiante.

É que eu acho que partilhar angústias tem de ser uma coisa construtiva. Como desabafava uma vez uma amiga minha, quando alguém nos fala de uma angústia e não nos deixa sequer uma pequena janela aberta para o confortarmos, isso não é uma partilha connosco, isso faz de nós apenas um caixote do lixo! Não sei se é sempre assim, mas não consegui deixar de pensar que talvez não devesse ter partilhado a minha angústia assim gratuitamente. Por isso deixo-vos hoje um excerto do concerto de Aranjuez que ontem, no Palácio da Música em Barcelona, me fez emocionar...

Claro que isto não é um blog de auto-ajuda, nem ninguém vem aqui à procura de uma massagem no couro cabeludo (a propósito, há voluntários? Alguém? Também pode ser aos pés...) e os meus estimados leitores, pelo menos os que estão ali na coluna da direita, são todos crescidinhos. Não precisam de uma mãezinha que os trate nas palminhas... Quanto à informação sobre o sofrimento no mundo em geral e nos campos de refugiados em particular, acho que se estou longe e não posso fazer nada, pelo menos posso manter-me informada. Porque se não soubermos o que se passa, como poderemos reconhecer uma oportunidade de ajudar se ela se nos desenhar à frente? A vida é simples, meus amigos, e as angústias tocam-nos a todos...

(um) beijo de mulata

quarta-feira, 13 de julho de 2011

[das coisas que me angustiam...] por este mundo

Campo de Refugiados de Maratane
(Nampula, Moçambique)

Quando tinha 18 anos, durante um interRail, passámos por Cracóvia e decidimos que tínhamos de ir visitar o antigo campo de concentração de Auschwitz... Foi uma viagem difícil de fazer porque nada estava traduzido, era necessário mudar de comboio de linha regional no meio de um apeadeiro num descampado e, à saída da estação de comboios também nada estava indicado e andámos a pé quase uma hora até termos a certeza de estávamos no caminho certo... Outra coisa de que me recordo foi o impacto que Auschwitz teve em mim, depois daquela jornada meia perdida e desamparada pelo meio de nenhures. Obviamente sabia ao que ia. Já tinha visto dezenas de documentários sobre um dos piores campos de concentração da segunda guerra mundial, mas não estava à espera daquele arrepio ao ler o irónico Arbeit Macht Frei da entrada e de uma crueldade daquelas ali diante dos meus olhos, de uma memória tão viva e uma ferida tão aberta.

Uma das coisas que me lembro de comentar na altura foi que tinha chegado à conclusão de que não estava preparada. Que ninguém podia estar preparado para um impacto daqueles, foi a minha frase ao final do dia. Um mês depois entrei na faculdade para estudar Medicina. Mal sabia eu que anos depois haveria de trabalhar num campo de refugiados em Nampula. Comparado com Maratane, o campo de Auschwitz, já desactivado e sem ninguém, era uma fotografia para assustar meninos. E o pior de tudo é que sei que há campos de refugiados dez mil vezes piores do que aquele... E quando digo dez mil vezes piores quero mesmo dizer dez mil vezes. Às vezes não sei o que pensar quando leio notícias destas...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

[das coisas que me alegram...] mais além!

Calculem, meus amigos... então não é que uma leitora que vem amiúde visitar-me aqui a este mato de beijos, mulatas e recordações, há uns dias, passando pelo Gilé a caminho de Nampula, teve uma avaria no jeep. Parece que se rompeu a bomba da água, ou coisa que o valha... uma daquelas avarias que conseguem transformar uma viatura que se tem por garantida (e em quem não se pensa a não ser quando é para encher distraidamente o depósito, mais a pensar na crise do que no bem-estar da dita), numa criatura odiosa que deita fumo, cheira a queimado e que fica teimosamente no meio da estrada como uma mula ruça a quem deu a travadinha e não dá nem mais um passo até que venha um macho buscá-la. E mesmo assim, só com muitas cenouras e alguma sorte [ai, mas que erudito que isto está hoje, com machos, cenouras e mulas ruças e tudo... qualquer dia admirem-se que apareça por aqui uma cigana a dançar flamenco...]. Isto a 300 km da cidade de Nampula, sem rede de telemóvel e sem qualquer hipótese de chamar um reboque porque [surpresa!], estamos precisamente no mato em Moçambique e Assistência em Viagem é coisa que não existe por aqui.

O povo macua é pacífico e muitíssimo prestável, delira por poder ajudar nestas situações. É sempre uma oportunidade de sair da rotina, de demonstrar a sua habilidade aos outros homens, divertir as crianças e de se exibirem às mulheres que se amontoam, curiosas, para observar o processo. Mas desta vez, por mais homens que aparecessem, não se tratava de mudar um pneu ou ajudar a retirar o carro de um dos imensos buracos da estrada onde é muito provável cair...

Foi então que a nossa estimada amiga se lembrou, brilhantemente, de que o Sr. Pompisk, tão falado neste blog (e até com direito a tag na coluna dos motes, à vossa direita) é que poderia ser a pessoa que a conseguiria ajudar naquela hora de aflição! E era verdade. Este quase apátrida, filho de mãe alemã e pai polaco mas auto-proclamado Moçambicano por usucapião, comerciante riquíssimo, bon vivant e dono de um coração mais do que generoso, era provavelmente a única pessoa que lhes poderia valer naquele mato... Voltaram à vila e, mesmo sem o conhecerem, perguntaram pelo Sr. Pompisk. E foi ele quem, pragmático, generoso e prestável como só ele, improvisou um reboque e as levou até Nampula! Para ele, mesmo que não nos esteja a ouvir, um grande abraço... Fiquei mesmo feliz por mais uma prova de que a vida é simples. Ou, pelo menos, devia...

[sabes que há pessoas ainda mais loiras que tu quando...] diabetes

Sabes que há pessoas ainda mais loiras que tu [mas quiçá um pouco perigosas] quando...

... uma senhora cujo número não reconheces, mas mãe de uma criança diabética te liga às 4 da madrugada de um domingo a dizer que está em Londres e não consegue medir a glicémia da menina porque a máquina está bloqueada e só lhe diz "olá"...
- Só lhe diz "olá"? Mas como assim, "olá"?
- Só me diz olá em Inglês...
- Mas comprou uma máquina nova?
- Não, é a mesma.
- Mas a sua não tem mensagem de boas vindas... [Oh, valha-me Santa Rita de Cássia, que nem quero acreditar que o que estou a pensar pode ser verdade...] Que letras precisamente estão escritas?
- É um H, um I, um G e outro H.
- "High"?! Mas isso é porque tem uma glicémia superior a 500! Tem de lhe fazer um bólus de insulina e ir com ela para o hospital agora mesmo!

domingo, 10 de julho de 2011

[outras palavras] ndihamba nawe



O meu amigo Francisco Campos, sj já deixou Moçambique... Este foi o seu presente para nós e para todos os curiosos, saudosos ou apaixonados por África, um conjunto de olhares seus... Nas suas palavras:

Deixo aqui uma série de fotografias que fui tirando neste tempo. A música que as acompanha, apesar de sul africana, ouviu-se muito nestes dois anos em Moçambique. Ndihamba Nawe quer dizer literalmente “Eu vou contigo”, mas na cultura Zulu também tem um significado de uma escolha que se faz por alguém. Por mim sinto-me escolhido e acompanhado por tantas caras e paisagens que aqui aparecem e por tantas outras que ficaram gravadas na minha memória e no meu coração.

Obrigada, Francisco!

[sabes que és demasiado loira quando...] cirurgia plástica

Sabes que és demasiado loira quando...

...um amigo cirurgião plástico te fala num parafuso totalmente orgânico, reabsorvível, feito em lactato, que permite evitar uma segunda cirurgia (e mais cicatrizes, por supuesto), respondes que isso é fantástico mas pensas: "Um parafuso em lactato?! C'orror, mas isso deve ter montes de calorias!"

Pronto, eu sei, eu sei, mas já toda a gente percebeu que a silly season já começou há algumas semanas...

sábado, 9 de julho de 2011

[inspiração para uma despedida] se não já com amor, com alegria...

Praia das Chocas de madrugada...
(Nampula, Moçambique)

Sigamos o cherne, minha amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até, do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria...

Em cada um de nós circula o cherne,
Quase sempre mentido e olvidado.
Em água silenciosa de passado
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado...

Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume de água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa...

Alexandre O’Neill

[sabes que és demasiado loira quando...] info-excluídos

Sabes que és demasiado loira quando...

... te oferecem um iPhone e, em vez de anotares as tarefas a não esquecer, começas a colar post-its amarelos na capa...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

[inspiração para uma despedida] pedras...

há qualquer coisa de sapiência na palavra tristeza, e algumas tristezas não são de espanar – um dia posso descobrir que elas me fazem falta e ter que ir buscá-las na lixeira da catin ton.

vou encher-me de silêncios e imitar as pedras. adormecer entre as pedras. pode ser que me contagie delas. depois de conseguir ser pedra vou exercitar o sorriso dessa pedra que eu for. com esse sorriso vou iniciar uma construção...

uma construção pode bem ser o lado avesso de uma certa tristezura.
Ondjaki in pequeno espanador de tristezas [a derradeira confissão?]*

*este é dos meus... gosta de parêntesis rectos, letras minúsculas e vírgulas de oxford. são gostos, pois então... estéticas de uma vida, para não lhes chamar mais nada, que hoje não estou para gracejar.

[breakfast with an epiphany] ...ou mata-bicho com uma visão arrebatadora


A imagem de todas as manhãs... de cortar a respiração.
(Gilé, Zambézia)

Com um obrigada ao Gustavo pelo trocadilho...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

[as melhores do serviço de urgência] moçambicanismos

Regra gramatical prática para quem gostaria de exercer Medicina no mato em Moçambique: Preferir sempre as conjugações divertidas às conjugações perifrásticas. Na dúvida inventem, que está sempre certo! (Com um grande obrigado ao correspondente honoris causa deste mato, infelizmente já não residente no Chimoio, mas espero que esteja muito feliz na Dinamarca).

Alguns exemplos:
Tomar o pequeno-almoço = Mata-bichar (Nunca dizer "tomar o mata-bicho"!)
Fazer barulho = Barulhar
Sofrer um acidente = Acidentar
Fazer chichi = Chichir

Concretizando num exemplo, uma pérola numa consulta no Gilé:
- Moséliwa? [Amanheceu bem para si hoje?]
- Ah, koséliwa! [Sim, amanheceu bem!]
- Então, mamã, de que está a chorar a criança? [Fórmula da Urgência Pediátrica equivalente a "Então, mãe, o que a traz cá hoje?"]
- Quando ela está a chichir sai-lhe o pipo.
- Como?!
- Quando está a chichir sai-lhe o pipo....
- A chichir?
- Sim, a chichir...
- A fazer chichi?
- Ah... [Ah, um som levemente aspirado, quase sem vogal. Quer dizer sim, ao contrário do mesmo som em Português, que quer dizer "Ai-que-me-esqueci-de-uma-coisa-muito-importante-como-por-exemplo-um-tacho-ao-lume-e-agora-ai-meu-Deus-que-fiquei-aflitíssima."]
- Sai-lhe o quê?
- O pipo. [Apontando para o umbigo, que tinha uma hérnia umbilical... De facto, se a criança fosse uma boneca insuflável, a hérnia do umbigo poderia perfeitamente ser o pipo... Ó valha-me a Santa do Pau Preto, que isto é preciso tirar outro curso...]
- Mas qual é o problema de lhe sair o pipo quando está a chichir? É normal... Ela faz força e o pipo sai... [Isto só a mim... Venho para o outro lado do mundo, tenho setenta urgências para ver por dia, uma data de crianças doentíssimas à espera e vêm mães com precisamente as mesmas fantasias que as europeias, com as mesmas dúvidas e que vêm à urgência por dá cá aquela palha...]
- Mas depois o pipo entra e dá-lhe mordeduras na barriga...
- Ah... Mas isso desde quando? Desde sempre?
- Desde ontem...
- E perdeu o apetite de comer?
- Não percebi...
- Mata-bichou hoje?
- Nada, não quis comer...
- [Bem, então deve ser alguma coisa mais complicada, por certo... Ela é que provavelmente não se consegue expressar bem. E eu para aqui a zangar-me sem razão nenhuma...] E teve febre?
- Não.
- [Ai, que nunca me lembro que eles não sabem o que é febre...] O corpo aquece?
- Sim! E o chichi está a quentar muito!
- O chichi sai muito quente?
- Sim, mas lhe aquece também.
- [Quer dizer que tem ardor a urinar...] Então vamos ali fazer uma análise de urina, que deve ser uma infecção urinária...

terça-feira, 5 de julho de 2011

[improbabilidades] mas afinal que sinal é este, homens de deus?


Improbabilidades da beira da Estrada ou da estrada para a Beira, não percebi bem... Daqui.
(Algures na Zambézia, Moçambique)

[um povo que caminha] vamos para casa...


Vamos para casa, Maria, que o dia está ganho! Tu levas a trouxa e as crianças, que eu vou aqui atrás a aproveitar a tua sombra, que faz muito calor...
(Mulevala, Zambézia)

Se há coisa que me irrita em Moçambique é a falta de respeito dos homens pelas mulheres e a absoluta submissão destas. A vida seria tão mais simples e as famílias tão mais harmoniosas se os homens partilhassem pelo menos as tarefas mais pesadas e as mulheres tivessem um pouco mais de auto-estima. Se lhes ocorresse, pelo menos de vez em quando, que a lei da vida pode não ser necessariamente esta e que têm tantos direitos e deveres como os homens...

sábado, 2 de julho de 2011

[um sorriso de meia vida] um hino à zambézia...


A Irmã Lurdes (a minha santa pessoal) travando conhecimento com o pequeno neto dos babadíssimos paroquianos. A força que um sorriso pode ter! Sobretudo se for de uma criança...
(Mulevala, Zambézia)

[mulevala] depois da missa





O Santuário de Mulevala. Uma enorme e improvável palhota-igreja repleta das mais diversas imagens e pinturas...
(Mulevala, Zambézia)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

[outras palavras] mão morta...

Diz o meu distinto colega Pedro Serrano - devidamente lincado ali na coluna da direita por debaixo da vénia de olavula sana* - que a minha história de anteontem, sobre a viagem para Mocuba, lhe fez lembrar uma outra. Linda, linda. E magistralmente escrita! Mas também perturbadora. Fortemente desaconselhada a pessoas muito sensíveis. Mas se puderem vão ler, que vale a pena. Basta clicar aqui.

* Expressão macua que quer dizer "palavras bonitas" ou "falar bem".

[entretanto em mulevala...] instantes





A missa no Santuário de Mulevala, depois da peregrinação, enquanto eu e um dos padres transportávamos a jovem mamã com uma ruptura uterina para o hospital de Mocuba... (Sou só eu que acho uma graça o bebé esparramado a dormir nas costas da mãe na terceira fotografia?)
(Mulevala, Zambézia)